sexta-feira, 12 junho, 2026

Ocupação de pessoas 60+ cresce 53% no Brasil

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Nos últimos dez anos, o número de pessoas 60+ no mercado de trabalho avançou mais rápido que o envelhecimento da população brasileira. De 2016 a 2025, o contingente dessa faixa etária passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões, enquanto os trabalhadores 60+ foram de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.

Mais gente trabalhando depois dos 60

No fim do ano passado, uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais estava ocupada. A taxa chegou a 25%, ante 22% em 2016, o maior nível dos últimos dez anos. Na população geral, o crescimento foi menor: o país saiu de 203,2 milhões para 212,6 milhões de habitantes, alta de 5%, enquanto o número de empregos subiu 14,6% e o total de trabalhadores chegou a praticamente 103 milhões ao fim de 2025.

O estudo da Nexus foi feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE. A pesquisa considera ocupação com carteira assinada, sem carteira, temporária e por conta própria. Só entra como desocupada a pessoa que procurou vaga.

Previdência e informalidade

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, disse à Agência Brasil que vê os dados como um copo meio cheio e meio vazio: por um lado, há gente chegando aos 60 e aos 70 anos ainda com capacidade ativa para o trabalho; por outro, ele enxerga precarização do período que costuma ser reservado à aposentadoria. Tokarski citou ainda pessoas de 75 anos que, em tese, já deveriam estar aposentadas, mas seguem trabalhando para complementar a renda.

Para ele, a reforma da Previdência de 2019 ajuda a explicar parte desse movimento ao elevar idade mínima e tempo de contribuição. Hoje, mulheres precisam ter pelo menos 62 anos e 15 anos de contribuição; homens, 65 anos e 20 anos. Antes, mulheres podiam se aposentar aos 60 anos e não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição.

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A informalidade também pesa nessa conta. Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais, ela chega a 53%, acima dos 38% da população geral e dos 41% entre jovens de 18 a 24 anos. O IBGE classifica como informais os empregados sem carteira assinada e os autônomos sem CNPJ. Nessa condição, não há garantia de férias, contribuição à Previdência Social nem décimo terceiro salário.

Tokarski diz que a informalidade virou traço estrutural do emprego entre os mais velhos. Para ele, esse grupo não pode se dar ao luxo de ficar desocupado: enquanto muitos jovens conseguem focar nos estudos ou esticar a busca pela vaga ideal, quem tem mais idade tende a migrar rápido para a informalidade. A conclusão do estudo é que a sustentabilidade econômica do país agora depende de políticas públicas de incentivo à formalização e de uma revisão urgente das estruturas corporativas de ergonomia, benefícios e inclusão geracional.

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