Inflação sobe 0,82% em setembro e volta a superar o teto da meta

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Fim do desconto na conta de luz, aumento dos combustíveis e alta dos alimentos pressionaram os preços; IPCA acumula 4,58% em 12 meses

A inflação oficial brasileira voltou a acelerar em setembro e atingiu 0,82%, o maior resultado mensal desde março de 2026, quando havia registrado 0,88%. O aumento foi impulsionado principalmente pela conta de energia elétrica, que ficou 7,98% mais cara após o encerramento do Bônus de Itaipu. Também contribuíram para a alta os preços dos combustíveis, das passagens aéreas e dos alimentos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

  • Inflação de setembro: 0,82%, maior resultado desde março.
  • Acumulado em 12 meses: 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.
  • Energia elétrica: aumento de 7,98% no mês.
  • Combustíveis: alta de 1,41%, com avanço da gasolina, etanol e diesel.
  • Alimentos: tomate subiu 37,76% e batata-inglesa, 24,07%.

Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a acumular 4,58% em 12 meses, ultrapassando o limite superior de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em agosto, quando a inflação havia registrado queda de 0,32%, o acumulado estava em 4,22%.

A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde 2025, o cumprimento é avaliado continuamente, considerando os 12 meses anteriores. A meta é considerada descumprida quando a inflação permanece fora do intervalo permitido por seis meses consecutivos.

Por que a inflação subiu tanto em setembro?

O principal responsável pela aceleração foi o grupo habitação, que apresentou aumento de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no IPCA. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial avançou 7,98%, respondendo sozinha por 0,32 ponto percentual da inflação do mês.

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A explicação está no fim do Bônus de Itaipu, desconto concedido aos consumidores na conta de agosto. Naquele mês, a energia havia ficado 7,63% mais barata. Sem o benefício em setembro, a conta voltou ao patamar habitual, provocando uma elevação expressiva na comparação mensal.

O IBGE também identificou reajustes contratuais nas tarifas de energia elétrica em Belém, São Luís e Vitória. Como o IPCA reúne preços de diferentes regiões do país, essas alterações influenciaram o resultado nacional.

Segundo o economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, o impacto do fim do bônus é pontual e tende a ter influência limitada sobre a inflação de outubro. Para este mês, está prevista a aplicação da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional na conta de luz.

Quanto aumentaram a gasolina, o etanol e as passagens aéreas?

O grupo transportes registrou alta de 0,89% em setembro, contribuindo com 0,18 ponto percentual para a inflação. As passagens aéreas tiveram um dos aumentos mais expressivos, de 9,66%.

Os combustíveis ficaram, em média, 1,41% mais caros. O etanol apresentou a maior elevação entre os produtos pesquisados, seguido pelo óleo diesel e pela gasolina.

  • Etanol: aumento de 3,16%;
  • Óleo diesel: aumento de 1,69%;
  • Gasolina: aumento de 1,21%;
  • Gás veicular: aumento de 0,10%;
  • Passagens aéreas: aumento de 9,66%.

Quais alimentos ficaram mais caros em setembro?

Depois de três meses consecutivos de queda, o grupo alimentação e bebidas voltou a subir e registrou alta de 0,83%. A alimentação consumida dentro de casa ficou 0,96% mais cara, pressionada principalmente por hortaliças e outros produtos presentes no dia a dia das famílias.

O tomate apresentou aumento de 37,76%, seguido pela batata-inglesa, com 24,07%, e pela cebola, que subiu 10,14%. O arroz ficou 4,56% mais caro, enquanto as carnes tiveram alta de 0,63%.

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Na direção contrária, alguns produtos apresentaram redução de preços, como o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).

O analista do IBGE Fernando Gonçalves explicou que as condições climáticas interferiram na produção e na oferta de alimentos. O frio retardou o amadurecimento do tomate, enquanto as chuvas prejudicaram o cultivo da batata e afetaram a qualidade da cebola.

Inflação ficou acima da expectativa do mercado?

O resultado de setembro superou a previsão dos analistas do mercado financeiro. O boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (5) apontava expectativa de inflação de 0,60% para o mês. O índice efetivo, de 0,82%, ficou 0,22 ponto percentual acima dessa estimativa.

Para o encerramento de 2026, a projeção de mercado apresentada no levantamento era de inflação de 5,01%, também superior ao limite de tolerância da meta oficial.

Os dados do IBGE mostram ainda que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preço em setembro, ante 54% em agosto. O grupo de serviços avançou 0,61% no mês e acumula alta de 5,98% em 12 meses, enquanto os preços monitorados subiram 1,59% em setembro e 4,13% no acumulado anual.

O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa acompanha os preços de produtos e serviços em regiões metropolitanas e capitais brasileiras, sendo o principal indicador utilizado para acompanhar a inflação oficial do país.

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