Chapecó tem 85 mil inadimplentes

Dados da Serasa mostram crescimento no número de endividados e do valor médio da dívida. Grupo representa quase 70% da população economicamente ativa do município

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Dados da Serasa mostram crescimento no número de endividados e do valor médio da dívida. Grupo representa quase 70% da população economicamente ativa do município

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A dívida bruta do Brasil atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando R$ 10,6 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal (DPF) superou R$ 9,03 trilhões. Os dados são do Governo Federal. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento das famílias atingiu novo recorde em junho, chegando a 81,6%.

Em maio do ano passado, pelo mesmo levantamento, o índice era de 78,2%. A Folha Desbravador buscou informações sobre a situação em Chapecó. Em dados exclusivos apurados dentro da Serasa, identifica-se que nos primeiros cinco meses de 2026 a inadimplência aumentou em todos os aspectos, seguindo uma tendência nacional.

O total de pessoas inadimplentes em Chapecó passou de 83 mil para 85.800, configurando um aumento de 3,4%. Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população economicamente ativa de Chapecó é de 126.454 pessoas (67,87%). O maior aumento foi no valor médio das dívidas. Em janeiro o valor era de R$ 8.700 e em maio ultrapassava os R$ 10.800, representando um aumento de 24%. O valor total das dívidas inadimplentes também teve acréscimo. Em janeiro o valor estava em R$ 862 milhões e em maio estava em R$ 933 milhões.

Fonte Folha Desbravador / Serasa

Economista avalia cenário

Para falar sobre o tema, a Folha Desbravador ouviu Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.

Aline Vieira, da Serasa – Foto Divulgação

Folha Desbravador: O que explica o aumento da inadimplência em Chapecó ao longo dos primeiros cinco meses de 2026 e quais fatores mais influenciaram esse cenário?

    A inadimplência é um fenômeno macroeconômico influenciado por fatores diversos, como inflação, taxas de juros, educação financeira e relações internacionais. No caso de Chapecó, nos primeiros cinco meses de 2026, a inadimplência cresceu 3,4%, totalizando 85.824 inadimplentes atualmente. O principal tipo de dívida do estado de Santa Catarina é proveniente de cartões de crédito, com 27,4% do total, seguido de dívidas decorrentes do atraso de contas básicas, com 21,3%.

    Folha Desbravador: Mesmo com uma leve queda no número de inadimplentes entre abril e maio, o valor total das dívidas continuou crescendo. O que isso revela sobre o comportamento financeiro dos consumidores?

    A queda do número de inadimplentes, acompanhada do crescimento no valor total de dívidas, indica a concentração de dívidas maiores em um número menor de pessoas. Em Chapecó, o ticket médio das dívidas por inadimplentes foi de R$ 10.882 em maio de 2026, indicando que cada pessoa inadimplente tem, em média, mais de 10 mil reais em dívidas. Já o ticket médio por dívida, no mesmo mês, foi de R$ 2.435,38.

    Folha Desbravador: Qual é o perfil predominante do consumidor inadimplente em Chapecó atualmente e quais faixas de renda e idade são as mais afetadas?

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    Em nossa base de dados, não conseguimos levantar esse recorte municipal, mas, no estado de Santa Catarina, em maio de 2026, as mulheres representavam 50,5% dos inadimplentes, enquanto homens representavam 49,5% do total. Em termos de faixa etária, as pessoas entre 41 e 60 anos de idade concentram a maior parte das dívidas, com 35,7% do total.

    Folha Desbravador: Quais tipos de dívidas mais contribuem para a inadimplência no município, como cartão de crédito, empréstimos, financiamentos ou contas básicas?

    Não temos informações municipais, apenas estaduais sobre os tipos de dívidas. Dessa forma, como mencionado anteriormente, em maio de 2026, os principais tipos de dívidas em Santa Catarina estavam relacionados a cartões de crédito, com 27,4% do total, seguido de dívidas provenientes de contas básicas, com 21,3%. Na sequência, estão as dívidas com instituições financeiras, com 19,5%, e de serviços, com 11,7%.

    Folha Desbravador: Como a inflação, os juros, o custo de vida e o mercado de trabalho local têm impactado a capacidade de pagamento das famílias chapecoenses?

    Fatores como inflação e custo de vida vêm estreitando a margem das famílias para pagar suas contas em dia. Segundo a pesquisa de Custo de Vida da Serasa, realizada em janeiro de 2026, Santa Catarina tem o quarto maior custo de vida do país, de R$ 4.180 mensais, e gastos com moradia, supermercado e contas recorrentes já consomem quase 60% do orçamento.

    Vale reforçar que a inadimplência é um fenômeno de caráter macroeconômico, resultado da combinação de diversos fatores que atuam tanto no nível individual quanto no coletivo. Entre esses elementos, destacam-se as variações nas taxas de juros, o contexto das relações econômicas internacionais e a falta de educação financeira da população. Nesse cenário, conhecer as melhores formas de lidar com o dinheiro é essencial para planejar o orçamento e priorizar a negociação de dívidas.

    Folha Desbravador: De que forma o aumento da inadimplência afeta o comércio, as empresas e a concessão de crédito em Chapecó?

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    O aumento da inadimplência tem um efeito em cadeia sobre a economia local. Quando as famílias ficam com o nome negativado, perdem acesso ao crédito e reduzem o consumo, o que impacta as vendas do comércio e o faturamento das empresas.

    As instituições financeiras, diante do risco maior, tendem a ser mais criteriosas na concessão de crédito, com análises mais rigorosas e juros mais altos. Por isso, a negociação de dívidas e a educação financeira são fundamentais para quebrar esse ciclo e devolver fôlego ao comércio e à economia das cidades.

    Folha Desbravador: O crescimento do ticket médio das dívidas indica que as famílias estão assumindo dívidas maiores ou enfrentando dificuldades para quitar débitos antigos devido aos juros?

    O crescimento do ticket médio em Chapecó pode refletir os dois cenários simultaneamente. Considerando as dívidas com cartão de crédito, que representam a maior parte dos débitos no estado, estamos falando sobre uma modalidade de juros rotativos, que aumentam rapidamente quando o pagamento mínimo não é realizado: uma vez em atraso, o saldo tende a se elevar apenas pelo acúmulo de juros e multas, mesmo sem novas compras, o que contribui para o crescimento de dívidas antigas.

    Por outro lado, 21,3% da inadimplência é proveniente de contas básicas, como água, luz e telefone. O atraso em despesas essenciais, e não em gastos supérfluos, indica um comprometimento estrutural da renda, e não consumo excessivo.

    Os dois cenários coexistem: há famílias em um ciclo de juros sobre dívidas antigas e famílias assumindo compromissos de valor mais elevado. Em ambos os casos, recomenda-se priorizar a quitação das dívidas com juros mais altos, buscar a negociação de forma preventiva e evitar o atraso em contas essenciais, que geram custos adicionais, como o corte de serviços.

    Folha Desbravador: Quais medidas de educação financeira e planejamento podem ajudar os consumidores a evitarem o superendividamento e recuperar o equilíbrio das contas?

    A Serasa reforça que o consumidor deve adotar uma postura de uso consciente e planejado do crédito, sempre alinhada à sua realidade financeira. Nesse sentido, o primeiro passo para reorganizar a vida financeira é priorizar a regularização de débitos em atraso, buscando negociações para obter condições mais adequadas de pagamento. Ao reduzir pendências, o consumidor tende a melhorar o histórico de crédito, o que contribui para ampliar as chances de aprovação em novas solicitações e acesso a condições menos onerosas, como taxas mais baixas e limites mais adequados ao perfil financeiro.

    Além disso, é recomendável que o consumidor acompanhe com frequência sua pontuação de crédito (Serasa Score) e evite o comprometimento da renda com novas dívidas. Planejamento e controle de gastos ajudam a manter o equilíbrio financeiro e a prevenir novos atrasos, reduzindo o impacto negativo na análise de crédito. Esse comportamento contribui para uma relação mais sustentável com o sistema financeiro e para o acesso mais saudável a produtos de crédito.

    Folha Desbravador: Que ações podem ser adotadas por instituições financeiras, poder público, empresas e entidades de proteção ao crédito para reduzir a inadimplência na região?

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    Acreditamos que a falta de planejamento financeiro e o acesso à educação financeira potencializam os riscos de reincidência, por isso, é importante fomentar conteúdos de educação financeira para o público geral.

    Nesse cenário, a Serasa procura oferecer serviços de educação financeira de qualidade, como parte do nosso objetivo de ofertar ferramentas para a redução da inadimplência no país e ajudar na democratização do acesso à educação financeira.

    Através do projeto Serasa Ensina, a empresa fornece gratuitamente artigos, vídeos e calculadoras gratuitas que podem ajudar o brasileiro a se organizar melhor financeiramente.

    Chapecó segue uma tendência ou é uma situação isolada?

      Chapecó acompanha uma tendência nacional. A inadimplência segue em patamares elevados em todo o país, refletindo fatores macroeconômicos comuns a diferentes regiões. Ou seja, o cenário do município não é um caso isolado, mas parte de um contexto mais amplo que atinge o consumidor brasileiro. Por isso, a educação financeira e as iniciativas de negociação de dívidas são caminhos fundamentais para que os chapecoenses, assim como os demais brasileiros, retomem o equilíbrio financeiro.

      Folha Desbravador: Qual é a perspectiva para o segundo semestre de 2026: a tendência é de aumento, estabilidade ou redução da inadimplência em Chapecó, e quais fatores serão determinantes para esse cenário?

        A Serasa não faz previsões quanto à movimentação da inadimplência no país, mas acredita que programas de negociação de dívidas podem ser de grande ajuda para frear o crescimento da inadimplência. Atrelados à educação financeira, é possível tomar decisões mais assertivas em relação ao dinheiro e construir uma vida financeira mais saudável, evitando novas dívidas.

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