Estudantes indígenas da Aldeia Kondá lançam documentário sobre a cultura Kaingang

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Filme de 10 minutos, produzido por adolescentes da Escola Sa Pe Ty Kó, traz relatos de anciãos sobre espiritualidade, território e tradições do povo Kaingang. Obra está disponível no YouTube.

Está disponível no canal da Margot Filmes no YouTube o documentário “As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá”, produzido por estudantes da Escola Indígena Sa Pe Ty Kó, da Aldeia Kondá, em Chapecó, durante a Oficina “Olhares Indígenas”. O curta-metragem de dez minutos é uma imersão na cosmologia e na oralidade Kaingang, conduzido pelo diálogo sensível entre gerações. O filme traz os relatos dos anciãos João, Maria e Ari, moradores da Kondá, que compartilham com os jovens as bases da cultura e das crenças de seu povo.

  • O que é: Documentário “As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá”, produzido por estudantes indígenas da Aldeia Kondá, em Chapecó.
  • Números principais: 10 minutos de duração; produção de adolescentes a partir de 12 anos; oficina de 40 horas; disponível no YouTube.
  • Onde: Aldeia Kondá, Chapecó, Oeste Catarinense.
  • Quem afeta: Comunidade indígena Kaingang, estudantes, realizadores audiovisuais e a sociedade em geral.

O que aborda o documentário da Aldeia Kondá?

O curta-metragem aborda espiritualidade, vivências no território e narrativas passadas de geração para geração. Conduzido pelo diálogo sensível entre gerações, o filme traz o relato dos anciãos João, Maria e Ari, moradores da Kondá, que compartilham com os jovens as bases da cultura e das crenças de seu povo. A produção é uma oportunidade de registrar e preservar a memória oral Kaingang, valorizando a sabedoria dos mais velhos e fortalecendo a identidade dos jovens.

O que dizem os estudantes sobre o filme?

De acordo com a estudante indígena Yanna Roberta da Silva Trindade, de 14 anos, o filme é uma forma de valorizar a cultura indígena. “Nosso filme fala sobre a valorização da nossa cultura, mostra que nós ainda estamos aqui lutando, que estamos aqui de pé pela nossa cultura, pelos nossos direitos. Tivemos a participação dos nossos anciãos, que concordaram em fazer parte do filme e falam que através das histórias as pessoas podem olhar para os povos Kaingang e valorizar o nosso povo.”

O que é o Projeto Olhares Indígenas?

O documentário encerra duas semanas de atividades do Projeto Olhares Indígenas, uma oficina de formação e imersão teórica e prática em cinema documental com duração de 40 horas. A ação atendeu estudantes a partir de 12 anos. Proposto pela produtora Margot Filmes e viabilizado com recursos públicos do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, através da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o projeto ganha relevância por sua abordagem pedagógica e protagonismo indígena.

Quem ministrou a oficina de cinema na Aldeia Kondá?

As ações foram ministradas por realizadores nativos com trajetória no audiovisual brasileiro, como a cineasta Kaingang Vanessa Fé Há e o cineasta/jornalista Laklãnõ-Xokleng Jucelino Senei Filho, contando ainda com o acompanhamento do psicólogo indígena Tschucambang Ndili. “Mais do que manusear equipamentos, a proposta pedagógica focou no uso acessível de ferramentas como smartphones, mostras de cinema e compreensão das etapas de pré-produção, gravação e edição, capacitando a comunidade. Os alunos puderam experienciar na prática todas as funções que integram o desenvolvimento de um filme”, conta Ilka Goldschmidt, uma das idealizadoras do projeto.

Qual foi a experiência dos estudantes na produção do filme?

Para Yanna, que desenvolveu a função de roteirista na atividade, a experiência foi muito interessante. “Essa foi a função que eu mais gostei. Achei uma experiência interessante e criativa. Muito legal porque dentro dessa função a pessoa está responsável por criar a história, desenvolver os personagens, escrever diálogos e organizar tudo o que vai acontecer no filme. Eu achei uma função muito importante, e também muito interessante pois usamos a criatividade para transformar a ideia em roteiro”, conta.

O que diz o cineasta indígena sobre a oficina?

Juce Senei Filho, jornalista e cineasta indígena, responsável por conduzir as atividades práticas do projeto, diz que a oficina trouxe uma experiência maravilhosa. “As crianças que participaram são muito interessadas, são crianças que querem essa oficina, então observo o quanto isso ajudou no desenvolvimento delas enquanto pessoas também, e eu vejo como elas precisavam contar as próprias histórias. Parece que a gente desbloqueou neles mais um aplicativo, mais uma forma de comunicação que talvez eles achassem que fosse muito longe, ou talvez eles achassem que não era pro uso deles. A nossa prioridade é mostrar que elas são capazes também.”

Onde assistir ao documentário e acompanhar o projeto?

O documentário “As Histórias dos Anciãos da Aldeia Kondá” está disponível para acesso público no YouTube, pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=fSP0SSAOfeE. Acompanhe outras informações do Projeto Olhares Indígenas pelo perfil nas redes sociais: @oficinadoc.olhares.

Com informações da Margot Filmes, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e do Projeto Olhares Indígenas.

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