O sistema antigranizo de Chapecó, primeiro da América Latina a proteger uma área urbana, completou um mês de operação com 1.432 disparos realizados durante os acionamentos. A tecnologia, inaugurada no dia 2 de fevereiro na rua Quilombo, no bairro Efapi, tem como objetivo dissolver a formação de granizo nas nuvens e evitar prejuízos à população.
No dia 7 de fevereiro, foram dois acionamentos após o sistema de monitoramento, localizado em São Paulo e que funciona 24 horas, identificar a formação de nuvens com potencial de granizo. Nesse dia, houve registro do fenômeno na região de Joaçaba. No dia 13 de fevereiro, também ocorreram dois acionamentos, com granizo registrado em Guatambu, Caxambu e Nova Itaberaba. Já no dia 17 de fevereiro, novo acionamento foi realizado, com granizo no Oeste do Paraná.
“Sistema já se paga evitando uma única chuva de granizo”, avalia Defesa Civil
O diretor de Defesa Civil e Proteção da Prefeitura de Chapecó, Walter Parizotto, fez uma avaliação positiva do primeiro mês de operação. “Na nossa avaliação, o sistema antigranizo de Chapecó tem sido extremamente eficiente, pois tudo indica que, se não fosse pelos disparos, teríamos granizo atingindo a região da Efapi em pelo menos um desses episódios, trazendo prejuízo para as famílias. O sistema, que custou R$ 972 mil, já se paga somente evitando uma destruição de uma chuva de granizo”, destacou.
Parizotto informou ainda que o acionamento do equipamento deve se tornar menos frequente a partir da mudança de estação. A estimativa inicial era de 7 a 10 acionamentos por ano. O barulho gerado é comparável ao de um tiro de revólver calibre 22, mas com a estrutura montada no entorno, há uma redução de 92 para 72 decibéis, ficando dentro do previsto em legislação. A Defesa Civil municipal entregou material impresso aos moradores das proximidades e criou um grupo de WhatsApp para informar sobre a operação do sistema.
Interesse de outras cidades e planos de expansão
O sucesso da iniciativa já desperta interesse em outras localidades. Cidades da Região Sul, como Erechim (RS), que recentemente sofreu grande destruição causada por granizo, estão procurando conhecer o modelo adotado em Chapecó.
O prefeito João Rodrigues anunciou a intenção de adquirir mais dois equipamentos: um para ampliar a proteção na região da Efapi e outro para o distrito de Marechal Bormann, áreas com maior histórico de impacto de chuvas de granizo nos últimos anos. “Nós vamos proteger as casas, as famílias, que sofriam com os telhados danificados quando tinha chuva de pedra. No Bormann, tivemos mais de mil casas danificadas em 2022. Em vez de entregar telhas depois do ocorrido, nós estamos inovando e protegendo a população”, afirmou Rodrigues.
Antes de optar pelo sistema antigranizo de Chapecó, a administração municipal realizou estudos dos modelos existentes e visitas in loco. A escolha pelo sistema de ondas sonoras se deu pelo fato de não deixar resíduos no meio ambiente, ao contrário da tecnologia que utiliza iodeto de prata.
Como funciona a tecnologia de ondas sonoras
O sistema utiliza tecnologia de ondas sonoras para proteger a região. O processo ocorre em etapas:
- Explosão controlada: O equipamento mistura gás acetileno com oxigênio em uma câmara de combustão, gerando energia sonora.
- Ondas de choque: Através de um cone, são emitidas ondas potentes a cada 7 segundos. Estas ondas viajam à velocidade do som até as nuvens, chegando a 10 mil metros de altura.
- Enfraquecimento do gelo: O som fragiliza a estrutura dos cristais de gelo em formação, impedindo que eles se unam e cresçam.
- Resultado: O granizo se fragmenta e derrete durante a queda, chegando ao solo como chuva comum ou gelo granular sem força de impacto.
Abrangência e acionamento do sistema
Cada equipamento protege uma área de 500 metros ao seu redor, formando um círculo de 1 km de diâmetro de proteção direta. No total, a cobertura alcança 80 hectares, o equivalente a 112 campos de futebol.
O sistema não funciona o tempo todo. Ele opera de forma preventiva e inteligente, com monitoramento realizado por uma empresa especializada que avalia dados meteorológicos em tempo real. O acionamento remoto ocorre com base no risco de tempestade, começando ao menos 15 minutos antes da chegada da chuva para preparar o ambiente atmosférico.
O sistema antigranizo de Chapecó representa uma inovação na proteção da população contra os prejuízos causados pelas chuvas de pedra, consolidando o município como referência em soluções tecnológicas para a defesa civil na América Latina.













