terça-feira, 12 maio, 2026

Pasta de dente feita com cabelo humano pode combater cáries, aponta pesquisa científica

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A cárie é a doença mais comum no mundo, afetando mais de 2 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Agora, uma descoberta científica pode abrir novos caminhos para a prevenção e o tratamento do problema: pesquisadores identificaram que a queratina, proteína presente no cabelo, na pele e nas unhas, pode ajudar a reconstruir o esmalte dentário e combater cáries.

O estudo foi conduzido por cientistas do King’s College London e publicado na revista científica Advanced Healthcare Materials. A pesquisa apresenta um creme dental experimental feito a partir de queratina extraída da lã, capaz de restaurar áreas danificadas do esmalte e interromper os estágios iniciais da cárie.

A cárie é a doença mais comum no mundo e um problema de saúde pública

Além de dor, sensibilidade e perda dentária, a cárie dentária está associada a impactos mais amplos na saúde. Em casos não tratados, pode comprometer a mastigação, a fala, a autoestima e até a saúde mental, além de estar relacionada a infecções crônicas e processos inflamatórios sistêmicos.

Mesmo com o uso difundido de cremes dentais com flúor, a erosão do esmalte continua sendo um desafio. Hábitos como consumo frequente de bebidas ácidas, alimentos ricos em açúcar e escovação inadequada contribuem para o desgaste contínuo da superfície dos dentes.

Como a queratina pode ajudar a combater cáries

Segundo os pesquisadores, quando a queratina entra em contato com a saliva, ela se organiza em uma estrutura cristalina capaz de atrair íons de cálcio e fosfato. Esse processo forma gradualmente uma camada durável semelhante ao esmalte natural do dente.

Nos testes laboratoriais, a fórmula à base de queratina apresentou desempenho superior ao dos cremes dentais tradicionais, chegando a prevenir completamente a formação de cáries em ambiente controlado. Além disso, a camada formada atua como uma barreira protetora, reduzindo a progressão das lesões e ajudando a aliviar a sensibilidade dentária ao bloquear canais microscópicos do esmalte.

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Esse avanço é considerado relevante dentro da chamada odontologia regenerativa, área que busca não apenas reparar danos, mas reconstruir tecidos dentários de forma funcional e duradoura.

Pasta de dente com queratina pode chegar ao mercado

Os cientistas afirmam que a tecnologia pode ser aplicada de duas formas: como uma pasta de dente de uso diário ou como um gel profissional utilizado por dentistas, em procedimentos semelhantes aos vernizes dentários. A expectativa é que produtos comerciais baseados nessa inovação estejam disponíveis em dois ou três anos.

Para a autora principal do estudo, Sara Gamea, doutoranda do King’s College London, a queratina representa uma alternativa promissora às resinas sintéticas usadas atualmente na odontologia restauradora. Segundo ela, além de apresentar maior semelhança com a cor e a textura do esmalte natural, o material é derivado de resíduos biológicos, como cabelo e pele, o que reduz impactos ambientais.

O autor sênior da pesquisa, o especialista em próteses dentárias Sherif Elsharkawy, destaca que a biotecnologia está impulsionando uma nova fase da odontologia. De acordo com ele, o uso de materiais biológicos pode permitir tratamentos mais eficazes, sustentáveis e alinhados aos processos naturais do corpo humano.

O estudo contou com financiamento de instituições como o Wellcome Trust, o King’s College London, a Academia de Ciências Médicas do Reino Unido e o Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde.

As informações desta matéria têm caráter informativo e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um dentista ou especialista habilitado.

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