MPDFT acusa Virginia Fonseca de participar de esquema de captação de apostadores para a Blaze

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Influenciadora teria estimulado seguidores a apostar em jogo de Cabo Verde na Copa e receberia comissão sobre perdas. Ação pede R$ 120 milhões em danos morais coletivos.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um modelo “estruturado de captação de apostadores”, comandado pela plataforma de apostas Blaze, durante os jogos da Copa do Mundo deste ano. Segundo o documento do MP, Virginia teria adotado estratégias para captar apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde, estimulando o público a apostar na vitória da seleção africana com linguagem emocional e sem sinalização publicitária.

  • O que é: Ação do MPDFT contra Virginia Fonseca e Blaze por publicidade enganosa e captação de apostadores.
  • Números principais: R$ 120 milhões em danos morais coletivos; mais de 42 mil reclamações contra a Blaze; Virginia tem 56 milhões de seguidores.
  • Onde: Brasília (DF), com repercussão em todo o Brasil, incluindo Chapecó e Oeste Catarinense.
  • Quem afeta: Consumidores que apostam em plataformas digitais, influenciadores digitais e o setor de apostas esportivas.

O que o MPDFT aponta contra Virginia Fonseca?

Segundo o MP, Virginia teria estimulado o público a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, uma aposta “de baixa probabilidade e alto retorno potencial”. Nos vídeos divulgados, a influenciadora afirmou que estava “esperançosa” com a vitória da seleção africana, usando linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem. O MP argumentou que as gravações não tinham sinalização para avisar ao público que o conteúdo tinha indícios de publicidade.

O documento afirma que Virginia operou “sobre um viés cognitivo documentado, intensificando a percepção de atratividade de um resultado objetivamente improvável sem qualquer menção às probabilidades reais”. A Argentina venceu a partida por 3 a 2, resultando em perda integral para os consumidores que seguiram a recomendação.

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Qual é a acusação contra a Blaze?

O MPDFT sustenta que a Blaze usou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas. A investigação aponta que a plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas da Copa, explorando a “alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”.

A ação destaca que a Blaze teria mantido uma estratégia contínua de publicidade com celebridades para ampliar o alcance das campanhas. O MP usa a frase: “A aposta te vende a fantasia do dinheiro fácil. A única aposta garantida é a da casa. E a casa contratou justamente quem você admira para te convencer a jogar.”

Qual é a ligação entre Virginia e a Blaze?

Segundo a investigação, enquanto simulava “esperança” no resultado da disputa, a influenciadora poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de quem seguia as recomendações de aposta. A ação aponta que Virginia teria apresentado a aposta como se fosse uma recomendação espontânea, sem deixar claro o caráter publicitário da divulgação.

O MP sustenta que a existência de remuneração vinculada às perdas dos apostadores captados agrava o conflito de interesses e aumenta o risco de prejuízo aos consumidores. A influenciadora, com mais de 56 milhões de seguidores, teria grande capacidade de influenciar o comportamento de seus fãs.

O que o MPDFT pede na ação?

O Ministério Público pediu a condenação solidária da Blaze e da influenciadora ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 120 milhões. O valor foi calculado com base em uma estimativa conservadora de que a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos. O MP aplicou, por analogia, um percentual de 20% sobre esse montante, quantia que considera suficiente para punir e desestimular a repetição das condutas apontadas.

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Além disso, a ação pede que a Justiça determine a interrupção imediata das campanhas publicitárias consideradas irregulares e adote medidas para impedir novas práticas que, segundo o órgão, violam o Código de Defesa do Consumidor e a regulamentação das apostas esportivas.

O que diz a Blaze sobre a ação?

Em nota, a Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca Blaze no Brasil, esclareceu que, até o momento, não foi formalmente intimada a respeito do procedimento. A empresa afirmou estar comprometida com a transparência e conformidade com a legislação, e que suas operações e parcerias são pautadas pelas melhores práticas de mercado. A Blaze disse que prestará esclarecimentos assim que for formalmente notificada.

O que diz a defesa de Virginia Fonseca?

A defesa de Virginia Fonseca afirmou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que as alegações serão respondidas tecnicamente nos autos. A defesa destacou que a petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes, essenciais para o completo esclarecimento dos fatos.

Os advogados refutaram as alegações de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores, e reafirmaram que a responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.

Qual é o impacto do caso em Chapecó e região?

Em Chapecó e no Oeste Catarinense, o caso repercutiu entre usuários de plataformas de apostas e influenciadores digitais. A ação do MPDFT contra Virginia Fonseca e a Blaze serve como alerta para os riscos das apostas online e a importância da transparência na publicidade de influenciadores. Consumidores da região que utilizam essas plataformas devem ficar atentos às práticas de marketing e à necessidade de verificar a idoneidade das empresas antes de realizar apostas.

Com informações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), da CNN Brasil e das notas oficiais da Blaze e da defesa de Virginia Fonseca.

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