quarta-feira, 20 maio, 2026

Crianças brasileiras enfrentam onda de riscos invisíveis na internet, alertam especialistas

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Desafios de automutilação, exploração sexual, golpes financeiros, pornografia, discursos de ódio e dependência digital já fazem parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes brasileiros conectados à internet. O problema, segundo especialistas, cresce mais rápido do que a capacidade de reação das famílias, das escolas e das próprias plataformas digitais.

Uma pesquisa da TIC Kids Online Brasil 2024 mostrou que 29% dos jovens entre 9 e 17 anos afirmam já ter vivido situações ofensivas, perigosas ou constrangedoras no ambiente digital. Entre os pais, porém, apenas 8% acreditam que os filhos passaram por esse tipo de experiência.

A diferença escancara o tamanho do desconhecimento sobre o que acontece nas telas.

Hoje, cerca de 35 milhões de brasileiros menores de idade frequentam redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens regularmente. Muitos entram nesses espaços sem supervisão, sem limites claros e sem maturidade emocional para reconhecer ameaças.

Em reportagem publicada pela Agência Senado, o especialista em educação digital Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, afirma que ainda existe uma ideia equivocada de que crianças sabem naturalmente se proteger na internet apenas porque cresceram cercadas de tecnologia.

Segundo ele, habilidade para mexer em celular não significa capacidade de identificar manipulação, abuso ou violência.

Internet foi desenhada para adultos

Especialistas ouvidos pela Agência Senado afirmam que boa parte dos riscos existe porque o ambiente digital nunca foi pensado para crianças. Redes sociais, plataformas de vídeo e jogos online operam sob uma lógica voltada ao engajamento e ao consumo — não à proteção infantil.

Isso ajuda a explicar por que adolescentes conseguem criar contas facilmente mesmo sem idade mínima permitida e por que adultos mal-intencionados conseguem se aproximar de crianças dentro de chats de jogos e aplicativos.

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Além dos crimes sexuais e do cyberbullying, pesquisadores observam crescimento de sintomas ligados à hiperconexão: ansiedade, irritabilidade, isolamento social, baixa autoestima e dificuldade de concentração.

Outro fenômeno que preocupa é o chamado FOMO — sigla em inglês para “medo de ficar de fora”. Muitos adolescentes passam horas conectados por receio de perder conversas, tendências ou momentos compartilhados por amigos nas redes sociais.

Especialistas também chamam atenção para o impacto precoce das telas no desenvolvimento infantil. O excesso de tablets e celulares pode reduzir estímulos motores importantes, afetar habilidades manuais e diminuir experiências ligadas ao toque e à percepção física do ambiente.

A promotora Mirella Monteiro, do Ministério Público de São Paulo, critica o argumento das big techs de que seria impossível controlar conteúdos nocivos em larga escala.

Segundo ela, plataformas conseguem remover rapidamente conteúdos que violam direitos autorais ou prejudicam interesses comerciais. Para especialistas, isso mostra que a tecnologia existe — mas não é aplicada com a mesma prioridade quando o assunto é segurança infantil.

Como denunciar crimes e conteúdos perigosos

Casos de exploração sexual infantil, ameaças, desafios perigosos, golpes digitais e outros crimes online podem ser denunciados por diferentes canais oficiais.

O Disque 100 recebe denúncias 24 horas por dia pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Também é possível denunciar pelo WhatsApp no número (61) 99611-0100.

Em situações urgentes, a recomendação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190 ou procurar a delegacia mais próxima da Polícia Civil.

Denúncias também podem ser feitas aos Ministérios Públicos estaduais, aos Conselhos Tutelares e à Polícia Federal em casos de exploração sexual infantil com possível alcance internacional.

A ONG SaferNet Brasil recebe denúncias anônimas de crimes virtuais e conteúdos ilegais na internet.

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Especialistas orientam ainda que usuários utilizem os próprios canais de denúncia das plataformas digitais para remover conteúdos criminosos ou inadequados.

Fonte: Agência Senado

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