sábado, 4 abril, 2026

Criação de empregos formais cai 23,7% em 2025 com perda de 618 mil vagas só em dezembro

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A geração de empregos com carteira assinada desacelerou significativamente no Brasil em 2025, pressionada pelo cenário de juros elevados e desaquecimento econômico. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o saldo anual foi de 1,28 milhão de novos postos, uma queda de 23,73% em relação a 2024.

O mês de dezembro agravou o quadro, com a eliminação de 618.164 empregos – o pior resultado para o período desde 2020. O saldo negativo foi 11,29% maior que o registrado em dezembro do ano anterior.

Desempenho por setores da economia em 2025

Apesar da queda geral, todos os cinco grandes setores econômicos fecharam o ano com saldo positivo de contratações. O setor de serviços liderou amplamente a criação de vagas.

  • Serviços: +758.355 vagas
  • Comércio: +247.097 vagas
  • Indústria: +144.319 vagas
  • Construção Civil: +87.878 vagas
  • Agropecuária: +41.870 vagas

Destaques dentro dos serviços e da indústria

Dentro do setor de serviços, o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras foi o principal motor, com abertura de 318.460 postos. Em seguida, vieram administração pública, educação e saúde, que somaram 194.903 novas vagas.

Na indústria, o destaque foi a indústria de transformação, responsável por 114.127 empregos líquidos. Serviços de utilidade pública, como água e esgoto, também contribuíram com 14.346 novas contratações.

Distribuição regional do emprego formal

Todas as regiões do país criaram empregos em 2025, mas com intensidade muito diferente. O Sudeste concentrou a maior parte das novas vagas.

  • Sudeste: +504.972 vagas
  • Nordeste: +347.940 vagas
  • Sul: +186.126 vagas
  • Centro-Oeste: +149.530 vagas
  • Norte: +90.613 vagas

Estados líderes e menores saldos

Na análise por estado, São Paulo liderou a criação de empregos (+311.228), seguido pelo Rio de Janeiro (+100.920) e Bahia (+94.380). Na outra ponta, os menores saldos positivos foram registrados em Roraima (+2.568), Acre (+5.058) e Tocantins (+7.416).

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Vale notar que, apesar da desaceleração, foi o sexto ano consecutivo de saldo positivo no mercado formal de trabalho brasileiro.

Contexto econômico e perspectivas

A queda na criação de vagas reflete um ano de política monetária restritiva, com juros básicos elevados para controlar a inflação, e um crescimento econômico moderado. Esses fatores inibem investimentos e a expansão das empresas.

O fraco desempenho de dezembro, tradicionalmente um mês de ajustes nas folhas de pagamento, serve como alerta para a necessidade de reaquecimento da economia em 2026 para que o mercado de trabalho recupere seu fôlego.

Os dados do Caged consideram ajustes posteriores feitos pelo Ministério do Trabalho, incorporando declarações entregues fora do prazo, o que dá maior precisão ao retrato final do ano.

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