terça-feira, 12 maio, 2026

Caneta emagrecedora de alta dose recebe aprovação da Anvisa no Brasil

Compartilhe essa notícia:

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de autorizar uma dosagem inédita de Wegovy no país. Agora, pacientes com obesidade que não alcançaram resultados satisfatórios com a dose padrão podem ter acesso à aplicação de 7,2 mg semanais de semaglutida injetável. A decisão, publicada no dia 3 de maio, representa uma alternativa terapêutica para quem precisa de estratégias mais intensivas no combate ao excesso de peso.

Até então, as doses aprovadas no Brasil eram de 0,25 mg, 0,5 mg, 1,0 mg, 1,7 mg e 2,4 mg. A nova dosagem corresponde à aplicação de três injeções consecutivas de 2,4 mg e foi liberada como opção excepcional de intensificação, destinada apenas a adultos com obesidade (IMC igual ou superior a 30 kg/m²) que não responderam adequadamente ao tratamento anterior.

Estudo STEP UP comprova eficácia da dose mais alta

A aprovação da Anvisa teve como base os resultados dos estudos clínicos STEP UP e STEP UP T2D, que avaliaram a eficácia e segurança da semaglutida 7,2 mg em adultos com obesidade, com ou sem diabetes mellitus tipo 2. Os números chamam atenção: a dose mais alta demonstrou perda de peso média de 21%, com um terço dos participantes perdendo 25% ou mais do peso corporal após 72 semanas.

Para efeito de comparação, os pacientes que receberam a dose de 2,4 mg perderam, em média, 17,5% do peso, enquanto o grupo placebo teve redução de apenas 2,4%. Isso significa que a nova dosagem pode oferecer um ganho adicional para quem não alcançou os objetivos com a dose padrão, embora a Anvisa reforce que esse benefício adicional foi observado principalmente em uma parcela menor dos pacientes.

Perda de peso acontece onde realmente importa

Priscilla Mattar, endocrinologista e vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil, explicou que a perda de peso com tratamentos à base de semaglutida ocorre principalmente por redução de gordura. “O medicamento age nos lugares certos: estudos indicam que cerca de 84% da perda de peso provém do tecido adiposo”, afirmou.

LEIA TAMBÉM  Saiba por que café pode afetar cérebro e intestino

A profissional também destacou que pacientes tratados com semaglutida apresentaram reduções significativas da gordura visceral e do acúmulo de gordura no fígado, rins e músculo esquelético. “Além disso, houve redução média de 15,8 cm na circunferência abdominal”, completou. A diminuição de 40% da gordura visceral representa um avanço significativo no manejo da obesidade, atuando diretamente em um fator-chave para prevenir doenças cardiovasculares.

Massa muscular é preservada durante o tratamento

Um dos receios de quem usa medicamentos para emagrecer envolve a perda de massa muscular. Afinal, não adianta perder peso se isso significa ficar mais fraco ou comprometer a mobilidade. Nesse ponto, as pesquisas recentes trazem boas notícias sobre a semaglutida.

Dados de vida real indicam que a semaglutida promove uma perda de peso de melhor qualidade, com maior manutenção de massa magra e da função muscular. “A função muscular é preservada em pessoas com obesidade tratadas com semaglutida, mantendo a força e apoiando a mobilidade, o que tem impacto direto na qualidade de vida”, garantiu Priscilla Mattar.

O estudo SemaLEAN, que analisou dados de pacientes acompanhados por 12 meses, demonstrou que a maior parte da perda de peso (cerca de 78%) foi proveniente do tecido adiposo, ou seja, da gordura corporal. Isso significa que a composição corporal melhora sem comprometer estruturas essenciais como músculos e tecidos conjuntivos.

Dose não substitui o tratamento padrão

Vale reforçar que a dose de 7,2 mg não substitui o protocolo padrão do Wegovy. Ela foi aprovada como opção excepcional de intensificação terapêutica, destinada apenas a quem não conseguiu resposta clínica adequada com a dose de 2,4 mg após utilização por, no mínimo, quatro semanas.

A decisão da Anvisa deixa claro que essa dose mais elevada pode proporcionar perda adicional de peso em comparação à dose já aprovada. No entanto, esse benefício adicional foi observado principalmente em uma parcela menor dos pacientes, enquanto para a maioria o ganho foi limitado. Por isso, a indicação precisa ser criteriosa e individualizada.

LEIA TAMBÉM  Brasil e Oxford se unem para criar vacinas contra o câncer

Perfil de segurança segue padrão conhecido

O perfil de segurança da dose de 7,2 mg mostrou-se, de modo geral, consistente com o já conhecido para o Wegovy e para a classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Os eventos adversos mais comuns foram de natureza gastrointestinal, predominantemente leves a moderados.

Priscilla Mattar explicou que a maioria dos eventos adversos relatados envolve sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos ou desconforto abdominal. “O perfil de segurança da semaglutida foi consistente com estudos anteriores”, afirmou a endocrinologista. Esses efeitos costumam ser transitórios e tendem a diminuir com o tempo de uso do medicamento.

Aprovação da União Europeia veio antes do Brasil

A União Europeia aprovou a dose de 7,2 mg do Wegovy em fevereiro de 2026, permitindo que médicos dos 27 países-membros já possam prescrever a dosagem mais alta. Nos Estados Unidos, a FDA (agência reguladora americana) também autorizou a comercialização em março deste ano, em um processo que levou apenas 54 dias após o pedido da fabricante.

No Brasil, a Novo Nordisk submeteu o pedido à Anvisa em novembro de 2025. A aprovação saiu agora em maio de 2026, após análise dos estudos clínicos e avaliação dos dados de eficácia e segurança. Com isso, o país se junta à lista de nações que oferecem a alternativa terapêutica mais robusta para casos de obesidade que não respondem ao tratamento padrão.

Versão em comprimido também está em análise

Além da aprovação da dose de 7,2 mg, a Novo Nordisk protocolou na Anvisa, em 30 de janeiro de 2026, o pedido de aprovação do Wegovy em versão comprimido. A solicitação abrange o tratamento da obesidade, a manutenção da perda de peso a longo prazo e a redução do risco de eventos cardiovasculares maiores, como morte cardiovascular, infarto e AVC.

LEIA TAMBÉM  OMS confirma surto de Hantavírus em cruzeiro causado pela rara cepa Andes

Nos Estados Unidos, o Wegovy comprimido já recebeu aprovação e se tornou o primeiro medicamento oral da classe GLP-1 indicado especificamente para obesidade. Segundo estudos clínicos, a versão em comprimidos apresenta eficácia semelhante à caneta emagrecedora, com perda média de peso em torno de 17%, além de benefícios cardiovasculares.

A novidade promete mais comodidade para os pacientes, que poderiam trocar as injeções semanais por comprimidos diários. Mas tudo ainda depende de análise e aprovação da Anvisa, sem previsão definida de resposta.

Tratamento exige mudanças no estilo de vida

Tanto a dose de 7,2 mg quanto as demais apresentações do Wegovy devem ser utilizadas sempre em associação com dieta hipocalórica e aumento da atividade física. Não existe medicamento milagroso que resolva a obesidade sozinho. A semaglutida funciona como ferramenta de apoio, mas as mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais.

O medicamento age reduzindo o apetite e aumentando a saciedade, o que facilita a adesão à dieta. Além disso, promove melhora do controle glicêmico devido ao seu efeito incretínico. Mas sem comprometimento do paciente com alimentação equilibrada e exercícios regulares, os resultados ficam comprometidos.

A obesidade é uma doença crônica que exige tratamento multidisciplinar. Medicamentos como o Wegovy representam avanços importantes, mas funcionam melhor quando inseridos em um contexto amplo de cuidados que incluem nutricionista, educador físico, psicólogo e acompanhamento médico constante.

Fonte: CNN Brasil

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas