TRF2 mantém liminar que proíbe imposto de 12% sobre exportação de petróleo

Compartilhe essa notícia:

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) negou recurso da União e manteve a decisão liminar que proíbe a alíquota de 12% de imposto de exportação de petróleo. A decisão é da desembargadora federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da Quarta Turma Especializada, em despacho assinado pouco antes das 22h da quinta-feira (9).

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) havia interposto recurso contra uma decisão de primeira instância, tomada na terça-feira (7), que atendia ao pleito de cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies, Repsol Sinopec, Petrogal, Shell e Equinor.

Fazenda Nacional falhou em demonstrar risco concreto

Ao analisar o agravo de instrumento, a desembargadora Carmen Lima de Arruda entendeu que a Fazenda Nacional “falhou em demonstrar o risco de perigo concreto, grave e atual emergente da manutenção da decisão agravada, não se vislumbrando prejuízo em aguardar o julgamento final”. O TRF2 ainda não marcou a data do julgamento definitivo da questão.

A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março. A MP foi editada pelo governo como tentativa de conter a escalada no preço de derivados de petróleo no país, em meio à guerra no Oriente Médio.

Empresas alegaram finalidade arrecadatória e violação à anterioridade

O imposto de exportação compensaria a queda de arrecadação provocada pela zeragem das alíquotas do PIS e da Cofins sobre o óleo diesel. Outro efeito seria desestimular que as exportadoras vendessem petróleo para fora do país. As companhias exportadoras que se sentiram prejudicadas alegaram que o imposto tinha finalidade “meramente arrecadatória”, ferindo o princípio da anterioridade tributária.

Em primeira instância, o juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, atendeu o pedido das cinco multinacionais. Ao recorrer, a Fazenda Nacional argumentou que a cobrança estava justificada no cenário internacional da guerra no Oriente Médio, “diante do aumento drástico do preço do barril de petróleo e da escassez deste produto, com potenciais efeitos deletérios sobre a economia nacional”.

LEIA TAMBÉM  Democratas criticam Trump por conceder visto a Flávio Bolsonaro

Inflação de combustíveis pressiona IPCA em março

A alta no preço dos combustíveis teve reflexo no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que foi de 0,88%, puxado principalmente pelo grupo transportes. O item combustíveis subiu 4,47%. A gasolina avançou 4,59% no mês, e o diesel saltou de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março.

Na última segunda-feira (6), o governo lançou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo subsídios para diesel e gás de cozinha, redução de impostos e apoio ao setor aéreo. A decisão do TRF2, no entanto, mantém suspensa a cobrança do imposto de exportação, que era uma das peças centrais da estratégia governamental.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

CDL de Chapecó oferece curso de rotinas administrativas com uso de IA

Capacitação será realizada em 4 de novembro e abordará ferramentas de inteligência artificial para...

IA da DeepSeek desativa mecanismos de desligamento em 39% dos testes

Estudo independente aponta avanços na segurança do modelo chinês, mas identifica comportamentos que contrariam...

PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro após descumprimento de ordem judicial

Senador não entregou os documentos conforme determinação de Alexandre de Moraes. Imprensa argentina noticia...

PL reconhece vitória de Lula, mas mantém questionamentos sobre eleição

Presidente do partido, Valdemar Costa Neto, aceita resultado proclamado pelo TSE, mas questiona gastos...