Dia Nacional do Livro: conheça iniciativas que ampliam o acesso à leitura

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No Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira, 29 de outubro, o Ministério da Educação usa a data para mostrar como tenta ampliar o acesso à leitura no país por meio do PNLD e do MEC Livros, com distribuição de materiais para escolas públicas, acervos para bibliotecas e uma biblioteca digital que reúne obras para leitura.

Livros que chegam à escola, à biblioteca e ao celular

Para a coordenadora-geral de Materiais Didáticos do Ministério da Educação (MEC), Jaqueline dos Santos Melo, ler ajuda na aprendizagem e na relação com outras realidades. “A leitura é uma tecnologia humana que ajuda a fazer novas conexões neurais e contribui para a aprendizagem. Além disso, é uma atividade introspectiva, pessoal, que nos permite acessar outros mundos, como o do escritor, o das personagens e o da imaginação”

O PNLD é uma das principais políticas públicas de acesso ao livro no país. Ele faz a avaliação, a compra e a distribuição gratuita de livros didáticos, obras literárias e outros materiais de apoio pedagógico para escolas públicas da educação básica, da educação infantil ao ensino médio, incluindo a educação de jovens e adultos (EJA). O caminho começa com a inscrição das obras pelas editoras. Depois vem a avaliação pedagógica coordenada pelo MEC. Só então os títulos são colocados à disposição das redes de ensino e das escolas. Em seguida, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) compra os materiais e organiza a entrega conforme o número de estudantes informado pelas redes.

O programa leva livros didáticos, obras literárias, materiais de apoio ao professor, obras pedagógicas e recursos educacionais digitais. Além dos exemplares físicos, estudantes e professores também podem acessar versões digitais por meio da plataforma PNLD Digital. Os docentes ainda recebem materiais de apoio teórico-pedagógico e manuais para planejar e desenvolver as atividades escolares.

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No ciclo de entregas de 2023 a 2026, foram avaliadas 2.108 obras em diferentes ações do programa. Entre os destaques estão as obras literárias para creches e pré-escolas, as publicações voltadas à educação de jovens e adultos e as iniciativas ligadas à equidade.

O alcance não fica restrito às escolas. Conforme previsto no Decreto nº 12.021/2024, o programa também prevê a destinação de acervos literários a bibliotecas públicas e comunitárias. Em 2026, o MEC avalia 333 coleções didáticas para a inglesa e espanhola, além de livros regionalizados de História e Geografia. No PNLD Literário Equidade, são avaliadas 457 obras para o ensino fundamental e 361 para a EJA, com temas como Educação Especial, Direitos Humanos, Educação Bilíngue de Surdos, relações étnico-raciais e literaturas quilombola, indígena e dos povos do campo, das águas e das florestas.

O programa também prevê a distribuição de 22,3 mil livros em braille em 2026 para 3.495 estudantes cegos e surdocegos da rede pública. Desse total, 3.116 são do ensino fundamental e 379 da EJA. A iniciativa tem investimento de R$ 27 milhões do MEC e do FNDE.

MEC Livros leva leitura para fora das estantes

O acesso à literatura também passa pelas telas. Para quem usa celular ou computador no dia a dia, o MEC Livros amplia as possibilidades de descobrir livros, conhecer novos autores e incluir a leitura na rotina. A plataforma reúne milhares de obras nacionais e internacionais, entre títulos em domínio público e obras contemporâneas licenciadas. O serviço é gratuito e pode ser acessado pelo site ou pelo aplicativo com login na conta Gov.br.

Para usar a plataforma, o leitor entra com a conta Gov.br, navega pelos títulos disponíveis e escolhe a obra desejada. Na página do livro, pode consultar as informações sobre o conteúdo e selecionar “Emprestar e Ler” para começar.

A diretora de Apoio à Gestão Educacional do MEC, Anita Stefani, diz que democratizar o acesso à literatura é ampliar as oportunidades de conhecer novos autores, histórias e culturas por diversos meios. “Democratizar o acesso à literatura é ampliar as oportunidades de conhecer novos autores, histórias e culturas por diversos meios. Com o MEC Livros, a tecnologia se torna uma aliada para aproximar os livros do cotidiano dos brasileiros e incentivar a formação de mais leitores”

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O escritor Felipe Castilho também vê espaço nesse modelo: “Não é todo jovem que vai conseguir comprar um livro, então é um jeito legal de conhecer autores, descobrir novas leituras e indicar livros para outras pessoas”

Quem lê cedo leva isso para a vida toda

A relação com os livros começa cedo. Uma história contada em voz alta, a liberdade para escolher um título ou uma conversa sobre personagens pode despertar o interesse pelas palavras e transformar a leitura em hábito prazeroso. A formação de leitores começa antes mesmo da alfabetização.

O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde os primeiros anos ajuda no desenvolvimento infantil, estimula a imaginação e amplia o repertório cultural. Nesse processo, escolas, famílias, educadores, artistas e mediadores de leitura têm papéis complementares.

Cláudia Ribeiro trabalha com grupos de teatro formados por crianças e diz: “Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura”

Elisa Pereira reforça o papel da família: “Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”

A escola pode ser o primeiro contato frequente com os livros para crianças que não vivem isso em casa. Por isso, professores e bibliotecários são fundamentais para despertar curiosidade, apresentar gêneros diferentes e incentivar novas histórias.

Nina Rizzi relaciona esse processo à voz própria dos estudantes: “Todos nós temos uma história para contar e só a gente pode contar essa história” Ao apresentar obras de diferentes regiões do país, culturas e experiências, a escola amplia o repertório dos estudantes ajuda cada um a conhecer outras realidades desenvolver pensamento crítico expressar suas vivências.

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Imagem também abre caminho para ler

Ler também pode ser o primeiro passo para escrever. Ao conhecer histórias poemas personagens formas diferentes de narrar crianças jovens ampliam o repertório cultural experimentam novas ideias descobrem maneiras de expressar suas próprias experiências.

Janaína Tokitaka chama atenção para as imagens na aproximação das crianças com os livros: “A imagem tem o poder de encantar tornar reais palavras que às vezes não são tão concretas” As ilustrações a contação de histórias o teatro outras linguagens artísticas ajudam a despertar curiosidade tornam a experiência literária mais envolvente.

Esse trabalho depende da atuação cotidiana de professores bibliotecários mediadores de leitura. Para Janaína esses profissionais são fundamentais para que as obras cheguem às crianças despertem interesse pela literatura: “São profissionais de extrema importância”

Celebrar o Dia Nacional do Livro é reconhecer que cada leitura pode virar descoberta pergunta ou outra forma de entender a realidade. Também é lembrar que interesse por livros precisa vir acompanhado de acesso concreto: obras disponíveis espaços acolhedores iniciativas capazes de alcançar públicos diferentes.

Ao articular distribuição de materiais didáticos literários acesso a recursos digitais destinação de acervos a bibliotecas públicas comunitárias o MEC tenta fortalecer a presença dos livros em diferentes contextos educativos sociais. As informações são da Agência Gov.

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