Câncer de mama mata mais negras que brancas no Brasil

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Um estudo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), divulgado nesta terça-feira (27), mostrou que a mortalidade por câncer de mama é cerca de 3,8 vezes maior entre mulheres negras do que entre mulheres brancas no Brasil. A pesquisa reuniu 24 estudos feitos em 6 países, incluindo o Brasil, e relacionou o resultado ao acesso aos serviços de saúde, ao diagnóstico tardio e às diferenças socioeconômicas.

Dados ruins escondem parte do problema

O material destacou o aumento anual da mortalidade pela doença ao longo de 20 anos, entre 2000 e 2020. Na avaliação da pesquisa “Disparidades raciais na incidência do Câncer de Mama”, melhorar a qualidade dos dados sobre cor ou “raça” nos sistemas de informação brasileiros é necessário para conhecer a distribuição dos subtipos moleculares do câncer de mama entre diferentes grupos raciais e ampliar o conhecimento sobre as desigualdades na doença.

Embora a incidência da doença seja, em geral, menor entre mulheres negras do que entre brancas, mulheres pretas e pardas aparecem mais frequentemente entre os casos de tumores agressivos, sobretudo o subtipo triplo-negativo. Nesse grupo, o diagnóstico também costuma ocorrer em estágios avançados e em pessoas mais jovens.

Uma pesquisa publicada no BMJ Oncology, revista voltada para estudos científicos, analisou dados de 29 tipos de câncer em 204 países e territórios e identificou crescimento de 79,1% na incidência global de cânceres de início precoce entre 1990 e 2019.

Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do Inca, disse que as desigualdades raciais no acesso à saúde ajudam a explicar as diferenças nas taxas da doença. “Historicamente, a população negra tem menos acesso aos serviços de saúde, menos acesso aos exames de detecção precoce e ao tratamento. O diagnóstico precoce tem uma importância fundamental”, afirmou a pesquisadora.

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Joyce Silva do Nascimento, paciente do Inca, descobriu o câncer de mama aos 23 anos. Na época, percebeu que o mamilo estava invertido e tinha sangramentos diários. Ela procurou atendimento ginecológico e fez exames, mas os primeiros resultados não identificaram a doença. A confirmação veio depois de uma nova análise da biópsia.

Depois do diagnóstico, Joyce iniciou o tratamento no instituto pelo SUS (Sistema Único de Saúde), passou por uma mastectomia total — cirurgia para a retirada de toda a mama — e não precisou fazer quimioterapia. “É importante a mulher continuar o tratamento mesmo depois de uma negativa […] O câncer tem cura, sim. Não é uma negativa para você desistir de tudo da sua vida”, concluiu Joyce.

O peso da doença no país

O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil e registra cerca de 66,54 casos para cada 100 mil brasileiras. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o país deve somar 78,6 mil novos casos até 2028, o que representa 5 mil casos a mais por ano em relação ao ciclo anterior.

O câncer de mama feminina é o mais incidente no país, com maiores taxas — também de mortalidade — na região Sudeste e Sul. Os dados apresentados pelo estudo mostram ainda que mulheres negras com 50 anos ou mais têm maior prevalência de não realização da mamografia do que mulheres brancas da mesma faixa etária. As informações são da CNN Brasil.

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