Estudo associa calor a 46 mil mortes por doenças respiratórias

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Um estudo de pesquisadores da Unicamp associou o calor a mais de 46 mil mortes por doenças respiratórias no Brasil entre 2010 e 2020, com base em dados de 646 municípios e análise publicada na revista científica PLOS Climate.

Calor, frio e risco de morte

A pesquisa estimou que as temperaturas elevadas estiveram ligadas a 46.429 mortes no período. Outras 19.650 foram relacionadas ao frio. No total, os óbitos associados a temperaturas não ideais chegaram a 66.079, o equivalente a 6,08% das mortes por doenças respiratórias registradas nas localidades analisadas.

Os resultados também mostram diferenças regionais. A Região Norte teve a maior proporção de mortes atribuídas a temperaturas não ideais, com predominância do calor. No Sul, o peso maior ficou com as baixas temperaturas.

Segundo o estudo, 12,5% das mortes por doenças respiratórias na Região Norte foram atribuídas a temperaturas não ideais, o que corresponde a cerca de 7.477 óbitos durante o período analisado. A maior parte dessa parcela veio das temperaturas elevadas.

No Nordeste, o calor respondeu por 8,6% das mortes respiratórias, ou 18.095 óbitos. No Sul, as baixas temperaturas estiveram associadas a 5,97% das mortes por doenças respiratórias, enquanto o calor respondeu por 1,54%. No Sudeste, os efeitos ficaram mais próximos: 2,57% das mortes foram atribuídas ao calor, ante 1,82% ao frio.

O que os dados mostram sobre o clima

A análise nacional encontrou uma curva em formato de “J” entre a temperatura média diária e a mortalidade por doenças respiratórias. Na prática, o risco subiu tanto nos dias muito frios quanto nos muito quentes, com aumento mais forte nos extremos de calor.

A temperatura ligada ao menor risco foi estimada em 22,4°C. Quando a média diária chegou a 30,3°C, que corresponde ao percentil mais alto das temperaturas analisadas, o risco acumulado de morte por doenças respiratórias ficou 43% maior em relação ao ponto de menor risco. Em 28,4°C, o aumento foi de 17%; em 29°C, chegou a 24%.

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Os pesquisadores consideraram efeitos acumulados da exposição à temperatura por até 21 dias. Isso significa que a associação identificada não se limita necessariamente ao mesmo dia em que ocorreu o calor extremo.

No recorte metodológico, o estudo analisou 1.087.094 mortes por doenças respiratórias registradas em 646 municípios brasileiros entre 2010 e 2020. Entraram cidades com pelo menos 50 mil habitantes, distribuídas pelas cinco regiões do país e que juntas representavam aproximadamente 65% da população brasileira.

Os dados de mortalidade vieram do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, por meio do Datasus. As informações meteorológicas foram extraídas do ERA5-Land, conjunto de dados de reanálise climática do programa europeu Copernicus. Para chegar às estimativas, os pesquisadores usaram modelos estatísticos que levaram em conta sazonalidade, tendências de longo prazo, dia da semana e o intervalo entre exposição e desfecho.

Por se tratar de um estudo observacional baseado em dados populacionais, os resultados medem a parcela de mortes estatisticamente atribuível às temperaturas não ideais. Isso não permite afirmar que cada óbito tenha sido causado exclusivamente pelo calor ou pelo frio. A pesquisa reúne pesquisadores vinculados à Unicamp e à PUC Goiás (Pontifícia Universidade Católica de Goiás), e eles afirmam que os achados podem ajudar políticas de adaptação climática e sistemas de alerta ajustados aos riscos específicos de cada região. As informações são da CNN Brasil.

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