Anvisa investiga 13 casos de doença ocular após uso de canetas emagrecedoras

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A Anvisa investiga pelo menos 13 casos suspeitos de NOIA em pacientes que usavam medicamentos à base de GLP-1, usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, porque recebeu notificações sobre possível perda de visão e ainda apura se houve relação com os remédios. A agência confirmou a informação nesta segunda-feira (28).

Casos envolvem Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Rybelsus

As notificações citam 5 casos ligados ao Ozempic, 3 ao Wegovy, 2 ao Wegovy FlexTouch, 1 ao Mounjaro e 2 ao Rybelsus, que é administrado por via oral. No total, 12 dos 13 registros envolvem medicamentos à base de semaglutida e 1 está relacionado à tirzepatida.

A Anvisa diz que os relatos seguem em investigação e não significam, de forma definitiva, que o medicamento tenha causado a neuropatia ou a perda de visão. A NOIA, ou NOIANA, é uma condição rara que compromete o nervo óptico — estrutura que leva as informações visuais do olho ao cérebro — e pode provocar perda parcial ou total da visão.

A doença costuma aparecer como uma perda visual repentina e indolor, geralmente em apenas um dos olhos. A oftalmologista Dra. Alléxya Affonso, especialista em Retina Clínica, Uveítes e Oncologia Ocular e PhD em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explicou: “A NOIA acontece quando há uma redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico. Esse nervo é responsável por levar as informações visuais do olho até o cérebro e, quando ocorre uma isquemia nessa região, pode haver uma perda importante da visão”.

Ela afirmou ainda que pacientes com diabetes tipo 2, hipertensão, obesidade, alterações cardiovasculares e outros fatores metabólicos podem ter maior risco de alterações vasculares ligadas à doença. “A mensagem não deve ser de pânico e nem de interrupção do medicamento por conta própria. Estamos falando de uma condição rara. O mais importante é que o paciente conheça os sinais de alerta e procure atendimento rapidamente caso perceba uma alteração súbita da visão.”

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Anvisa já havia alertado sobre semaglutida em junho de 2025

Em junho de 2025, a Anvisa já havia emitido um alerta sobre casos de perda súbita de visão associados ao uso de medicamentos que contêm semaglutida, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy. Na ocasião, a agência mandou incluir a NOIA nas bulas desses medicamentos como uma reação adversa “muito rara”. Até aquele momento, haviam sido registradas cerca de 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionados ao uso de medicamentos com semaglutida.

No mesmo mês, a Anvisa também determinou que a venda de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, incluindo aqueles à base de semaglutida, passasse a exigir retenção da receita médica nas farmácias.

A Novo Nordisk, responsável pela Wegovy, Ozempic e Rybelsus, informou que “a segurança dos pacientes é prioridade para a empresa” e disse que a semaglutida tem um perfil de segurança “bem estabelecido”. A empresa também afirmou que recomenda diagnóstico e tratamento corretos aos pacientes e orientação médica durante o uso.

Em nota, a companhia disse ainda: “A NOIA está sendo avaliada como parte da farmacovigilância de rotina. A vigilância contínua de todos os dados de segurança não alterou essa conclusão. Uma relação causal entre agonistas do receptor de GLP-1, incluindo a semaglutida, e a NOIA não pode ser confirmada com base na totalidade dos dados. Esta avaliação baseia-se na ausência de desequilíbrios nos dados de estudos clínicos, nas limitações dos poucos estudos epidemiológicos disponíveis, na ausência de evidências de associação em dados não clínicos, no padrão inconsistente dos poucos casos pós-comercialização e na ausência de um mecanismo de ação conhecido”.

No fim do comunicado, a Novo Nordisk disse que não encontrou nenhum sinal de alerta nos ensaios clínicos que realizou com semaglutida. Também afirmou: “Considerando a totalidade das evidências de ensaios clínicos, relatos de póscomercialização e estudos observacionais, somados à incidência geralmente baixa de NOIA, a Novo acredita que o perfil de benefício-risco da semaglutida permanece favorável. A Novo está comprometida com a segurança dos pacientes e monitora continuamente o perfil de segurança de seus medicamentos da classe GLP-1. Caso dados emergentes de segurança exijam novas ações, medidas apropriadas serão implementadas de acordo com os requisitos regulatórios”.

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A Lilly também declarou: “A segurança dos pacientes é a principal prioridade da Lilly. Monitoramos, avaliamos e reportamos ativamente às autoridades regulatórias as informações de segurança relacionadas a todos os nossos medicamentos. Como parte do nosso processo rotineiro de revisão de segurança, mantemos discussões contínuas com as autoridades regulatórias sobre possíveis temas de segurança e continuaremos avaliando os dados, incluindo quaisquer informações relacionadas a questões oftalmológicas. Se alguém apresentar efeitos colaterais ao utilizar um medicamento da Lilly, deve conversar com seu médico ou outro profissional de saúde”.

As informações são da CNN Brasil.

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