Pedra nos rins pode atingir 15% da população mundial

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A pedra nos rins, ou litíase renal, pode atingir até 15% da população mundial e responde por até 2% dos casos de pacientes em terapia renal substitutiva, segundo Vinicius de Oliveira, médico nefrologista (CRM 141.840 / RQE 70246). O especialista diz que a condição costuma ser banalizada, mas pode levar à perda definitiva da função dos rins, e defende uma investigação minuciosa para descobrir a causa e evitar novas crises.

Quando a dor aparece tarde demais

Vinicius de Oliveira afirma que a intenção não é alarmar, e sim dar peso a uma doença que, frequentemente, é negligenciada até mesmo no meio médico. Ele diz que muitas pessoas só procuram ajuda especializada depois de uma sequência dolorosa de crises recorrentes, cirurgias e infecções de repetição que já deixaram sequelas definitivas na saúde renal.

A formação de pedras nos rins tem origem multifatorial. Entra nessa conta predisposição genética, alterações metabólicas herdadas ou adquiridas, distúrbios endocrinológicos, hábitos alimentares, comorbidades e, com frequência, o uso de certos medicamentos ou suplementos. Em mais de 80% dos casos, segundo o nefrologista, é possível encontrar a resposta exata para a origem do problema.

O que o nefrologista procura

Na avaliação clínica, a consulta com o nefrologista precisa ser minuciosa. O médico investiga história familiar, rotina alimentar, uso de medicamentos e até a ingestão de fórmulas e fitoterápicos, algo cada vez mais comum na busca por promoção da saúde, mas que nem sempre faz bem aos rins. Depois dessa conversa detalhada, o exame físico ajuda a avaliar a saúde geral e a buscar pistas de doenças associadas.

A gota, também chamada hiperuricemia quando há excesso de ácido úrico no sangue, pode aparecer com depósitos desse ácido na pele e nas articulações, os tofos gotosos. Esse achado pode apontar o caminho para a causa das pedras.

  • Exames de imagem detalhados: para avaliar a situação atual e a localização exata das formações.
  • Urina de 24 horas: avalia o pH e dosagens específicas de substâncias que facilitam ou previnem a cristalização.
  • Análise sanguínea minuciosa: para identificar alterações bioquímicas profundas.
  • Análise cristalográfica do cálculo (quando disponível): por meio de tecnologias avançadas, como Espectroscopia de Infravermelho, Difratometria de Raios X e Microscopia Óptica Polarizada, conseguimos identificar a estrutura molecular exata da pedra (por exemplo, oxalato de cálcio monohidratado ou di-hidratado).
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Mesmo quando a análise da pedra não é possível e os exames tradicionais não mostram a origem do problema, centros especializados já usam painéis genéticos para nefrolitíase, testes capazes de identificar mutações e orientar o tratamento.

O objetivo do tratamento preventivo não é “dissolver” as pedras que já existem. É bloquear o crescimento delas e impedir que novas se formem. O combate definitivo às pedras nos rins é multidisciplinar e depende também do nutricionista especializado em litíase renal, que avalia dietas restritivas e calcula com precisão as cargas de sódio, cálcio e citrato da alimentação.

  • Hidratação: produza mais de 2,5 litros de urina por dia. Isso exige uma ingestão hídrica superior a esse volume, distribuída ao longo de todo o dia.
  • Cuidado com o sal: reduza drasticamente o consumo de sal, embutidos e produtos ultraprocessados (fast foods).
  • Proteína na medida: modere o consumo de proteínas de origem animal.
  • Cuidado com o cálcio (o grande mito): não corte o cálcio da sua dieta! Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, manter um consumo normal de cálcio ajuda a prevenir a formação de pedras.

O problema também costuma andar junto com diabetes, obesidade, histórico de cirurgia bariátrica, alterações nas paratireoides ou osteoporose. Por isso, o acompanhamento integrado com outros especialistas ajuda a fechar todas as pontas. Ter pedra nos rins não é um evento banal ou inofensivo; quando as crises se repetem, o diagnóstico da causa é possível e o tratamento precisa ser individualizado. As informações são da CNN Brasil.

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