Capacitação de profissionais busca reduzir recusa familiar na doação de órgãos; 2,5 mil já foram treinados

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Projeto da AMIB em parceria com Ministério da Saúde superou meta em 25% e capacitou 2.534 profissionais em 25 estados; índice de recusa no Brasil é de 45%, com 4.200 famílias não autorizando doações em 2025.

O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e hospitais, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. Para melhorar esse cenário, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou 2.534 profissionais de saúde entre setembro de 2025 e agosto de 2026, superando em 25% a meta inicial de 2 mil participantes.

  • O que é: Capacitação de profissionais de saúde para melhorar a comunicação e reduzir a recusa familiar na doação de órgãos.
  • Números principais: 2.534 profissionais capacitados (superando meta em 25%); 73 cursos em 25 estados; índice de recusa de 45% (4.200 famílias não autorizaram em 2025); Brasil alcançou 20,3 doadores por milhão de habitantes em 2025.
  • Onde: 25 estados brasileiros, com cursos em andamento em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).
  • Quem afeta: Famílias de potenciais doadores, pacientes na fila de espera por transplantes e profissionais de saúde.

Por que a recusa familiar na doação de órgãos ainda é alta no Brasil?

A taxa de recusa familiar gira em torno de 45%, mas o índice varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, o que evidencia que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. Segundo o presidente da AMIB, Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos, e muitas famílias gostariam de atender a esse desejo. No entanto, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.

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Como a capacitação de profissionais ajuda a reduzir a recusa?

O objetivo dos cursos elaborados pela AMIB é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir o processo de doação, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias. A formação busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador. Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 25 estados. Mais oito treinamentos estão previstos até o encerramento do projeto.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias?

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar. Há também a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares. Franke explica que as famílias têm receio de deformação do corpo, mas que os profissionais explicam adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais.

Quantos profissionais foram capacitados e em quais áreas?

Até agosto, foram capacitados 2.534 profissionais, dos quais 933 são médicos — 473 deles receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes inclui enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, além de um nutricionista e um pedagogo. Esses profissionais tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e o uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).

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Qual a situação dos transplantes no Brasil?

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024, o que representa um avanço, mas ainda há espaço para melhorias com a redução da recusa familiar.

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