Exame de sangue pode prever Alzheimer anos antes, diz estudo

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Resumo

Um exame de sangue baseado em material genético pode prever sintomas de Alzheimer anos antes, segundo estudo publicado no início de julho na Nature Medicine. Financiada pelo NIH, a pesquisa encontrou 34 circRNAs ligados à doença e mostrou que eles quase triplicaram o risco de manifestação clínica.

Os pesquisadores analisaram dados sanguíneos de mais de 1.200 pessoas de grupos independentes e viram que esses RNAs circulares superaram a pTau217 em um modelo de previsão, com potencial para diagnóstico precoce e para indicar quem pode desenvolver sintomas entre dois e quatro anos antes.

O sangue começou a entregar pistas antes do cérebro falhar

O trabalho foi conduzido por Carlos Cruchaga, doutor e autor correspondente do estudo, com apoio do NIH, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, e saiu no início de julho na revista Nature Medicine. A equipe buscou no sangue sinais que pudessem antecipar o Alzheimer antes do quadro clínico aparecer.

Os resultados apontam que níveis elevados de certos RNAs circulares, os circRNAs, quase triplicaram o risco de os pacientes desenvolverem sintomas. Para os autores, isso sugere que essas moléculas captam o começo da manifestação clínica melhor do que os biomarcadores tradicionais da doença.

Placas amiloides ainda ajudam, mas não contam tudo

Hoje, os exames de sangue usados para diagnosticar Alzheimer são considerados confiáveis porque detectam marcadores de placas amiloides, uma característica marcante da doença. O problema é que esses testes podem dar positivo até décadas antes do comprometimento cognitivo e não dizem como a doença pode avançar.

As placas amiloides se acumulam lentamente no cérebro. Já os circRNAs são mais dinâmicos e refletem a atividade cerebral mais recente. Foi essa diferença que levou a nova pesquisa a abrir caminho para um exame capaz de prever o início dos sintomas.

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Carlos Cruchaga já havia feito uma pesquisa anterior com membros da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, na qual associou circRNAs do cérebro à demência e à gravidade neuropatológica. Agora, o grupo quis saber se essa relação também aparecia nos circRNAs que circulam no sangue, um tecido muito mais acessível.

Para isso, os pesquisadores analisaram dados sanguíneos de mais de 1.200 pessoas de múltiplos grupos de estudo independentes e encontraram 34 circRNAs associados ao Alzheimer. Os modelos criados a partir dessas associações identificaram com sucesso pessoas com a patologia e tiveram desempenho semelhante ao de modelos baseados na proteína pTau217, principal biomarcador sanguíneo usado clinicamente para a doença. Mesmo assim, o novo modelo com circRNA superou o da pTau217.

Os 34 circRNAs também apareceram como preditores mais fortes da progressão para o Alzheimer sintomático. Em experimentos adicionais, seus níveis pareceram sair do padrão cerca de dois a quatro anos antes do início real dos sintomas.

O teste pode ajudar médicos e ensaios clínicos

Na avaliação dos pesquisadores, esse tipo de resultado pode ajudar médicos a identificar candidatos para novos tratamentos e também a acompanhar a resposta terapêutica. Isso é especialmente relevante no caso de medicamentos que têm como alvo as placas amiloides.

Cruchaga disse: “Em um ambiente clínico, ser capaz de identificar pacientes que estão prestes a manifestar os sintomas seria inestimável. Ter essa informação poderia nos ajudar a selecionar os pacientes certos para ensaios clínicos e determinar melhor quais tratamentos são eficazes na prevenção do declínio cognitivo”.

Ele também afirmou: “Pacientes tratados com novas terapias de remoção de beta-amiloide (Aβ) podem se tornar negativos para pTau, mas ainda assim ter a doença de Alzheimer. Esses RNAs circulares podem nos dar uma perspectiva mais completa da biologia geral da doença de alguém”.

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Agora, em parceria com colaboradores comerciais, os pesquisadores desenvolvem ensaios clínicos práticos para detectar circRNAs no sangue.

A reportagem é da CNN Brasil Saúde.

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