Endometriose e câncer de ovário: o que pacientes devem saber

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Resumo

Receber o diagnóstico de endometriose costuma levantar dúvidas sobre câncer de ovário. Uma revisão internacional publicada em 2026 mostrou associação com alguns subtipos, mas o risco absoluto continua baixo: 1,4% na população geral e 1,9% entre mulheres com endometriose.

O diagnóstico de endometriose costuma vir acompanhado de uma pergunta que assusta muitas pacientes: a doença aumenta o risco de câncer de ovário? A resposta pede cuidado na leitura dos dados. A revisão internacional publicada em 2026 mostra associação com alguns subtipos, mas não sustenta pânico nem rastreamento de rotina.

O que a revisão encontrou

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres no mundo. Ela surge quando um tecido parecido com o revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina e pode provocar inflamação, dor pélvica, alterações intestinais, desconforto nas relações sexuais e, em alguns casos, infertilidade.

Diversos estudos passaram a investigar a relação entre a doença e o câncer de ovário. A revisão reforçou que existe associação entre endometriose e determinados subtipos de câncer ovariano, sobretudo os carcinomas endometrioide e de células claras.

Marcos Vinícius Maia da Mata, ginecologista e obstetra com especialização em Endometriose, escreveu o texto publicado pela CNN Brasil. Ele diz que a principal mensagem não é viver preocupado com a possibilidade de desenvolver câncer, mas entender como interpretar os números.

Quando se lê que uma condição aumenta duas, três ou até quatro vezes o risco de outra doença, a impressão pode ser alarmante. Na medicina, porém, risco relativo e risco absoluto não dizem a mesma coisa. A revisão apontou risco relativo maior para alguns tipos de câncer de ovário entre mulheres com endometriose, mas a chance real segue baixa.

Na população feminina geral, o risco ao longo da vida gira em torno de 1,4%. Entre mulheres com endometriose, sobe para cerca de 1,9%. A maioria das pacientes nunca terá câncer de ovário.

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Nem toda endometriose é igual

A doença também não se apresenta sempre da mesma forma. Há quadros mais superficiais e outros mais complexos, como os endometriomas ovarianos e a endometriose infiltrativa profunda. Alguns estudos sugerem que esses grupos podem ter risco maior quando comparados à população geral.

Mesmo assim, o acompanhamento individual continua no centro da decisão médica. Mais importante do que procurar sinais de câncer é monitorar a própria endometriose: sintomas, evolução das lesões, impacto na fertilidade e qualidade de vida.

Cada paciente tem uma história clínica diferente. Por isso, exames e tratamentos precisam levar isso em conta.

Rastreamento não é rotina

Uma dúvida frequente é se mulheres com endometriose devem fazer exames periódicos para rastrear câncer de ovário. Até o momento, as evidências científicas não apoiam essa estratégia. As principais sociedades médicas e os estudos mais recentes não recomendam rastreamento oncológico de rotina nem cirurgias preventivas apenas porque a paciente tem endometriose.

Também não há demonstração de benefício que justifique intervenções mais agressivas em mulheres cujo risco absoluto permanece relativamente baixo. O foco segue no acompanhamento regular, na avaliação clínica adequada e no controle dos sintomas.

O diagnóstico não deve ser lido como sentença. Hoje há diversas opções de tratamento capazes de controlar sintomas, preservar a fertilidade quando necessário e melhorar a qualidade de vida. Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar, precisará de cirurgia ou evoluirá para formas graves da doença.

Buscar informação confiável, manter acompanhamento especializado, fazer os exames indicados pelo médico e cuidar da saúde física e emocional pesam mais do que alimentar medo com leituras incompletas dos estudos. A medicina avançou na compreensão da endometriose; uma das conclusões mais úteis desse avanço é simples: informação correta traz segurança.

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Existe associação entre endometriose e alguns tipos de câncer de ovário. Isso não significa que a doença vá evoluir para câncer na maioria dos casos. A melhor estratégia continua sendo acompanhamento adequado, tratamento individualizado e decisões baseadas em evidências.

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