segunda-feira, 22 junho, 2026

Mudanças no corpo após a gravidez pedem avaliação médica

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A maternidade traz mudanças físicas, emocionais e identitárias durante a gestação e após o parto. Pele, músculos, mamas e metabolismo mudam; flacidez, estrias, diástase e gordura localizada podem persistir. Cirurgia plástica pode ajudar, desde que indicada com critério.

O que muda no corpo

Após o parto, existe uma expectativa social silenciosa de que o corpo volte ao normal. Na prática, isso nem sempre acontece. Flacidez abdominal, excesso de pele, estrias, alterações nas mamas e acúmulo de gordura localizada aparecem com frequência, mesmo em mulheres com hábitos saudáveis. Essas mudanças não representam falha; fazem parte do processo biológico da gestação.

Durante a gravidez, há distensão da pele e da musculatura abdominal, além de alterações hormonais que mexem com a elasticidade e com a distribuição de gordura. Depois do parto, parte dessas mudanças pode regredir. Nem sempre por completo. A diástase abdominal pode persistir, assim como a flacidez de pele e a queda das mamas após o período de amamentação.

Quando a cirurgia entra na conversa

A resposta do corpo varia de mulher para mulher e depende de genética, número de gestações, ganho de peso e idade. Entender isso ajuda a ajustar expectativas e reduz a frustração. Para muitas mulheres, o desejo de recuperar a forma corporal vem junto com um conflito emocional: pensar em estética depois da maternidade parece superficial ou inadequado.

Mas cuidar da própria imagem não é incompatível com a maternidade. Pode estar ligado à autoestima e ao bem-estar. O ponto central não é atender a padrões externos; é se sentir confortável no próprio corpo. Quando esse desejo é legítimo e bem compreendido, ele deixa de ser culpa e passa a ser autocuidado.

A cirurgia plástica pode entrar como aliada nesse processo, desde que indicada de forma criteriosa. Entre os procedimentos mais procurados estão a mastopexia — indicada para correção da flacidez mamária —, a abdominoplastia — especialmente em casos de excesso de pele e diástase — e a lipoaspiração — indicada para tratar gordura localizada. Em alguns casos, também pode ser feita lipoenxertia para melhorar o contorno corporal.

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É fundamental que a paciente esteja em um momento adequado: com peso estabilizado, sem intenção de nova gestação no curto prazo e com avaliação médica completa. Esses procedimentos melhoram o contorno corporal, mas não recriam o corpo anterior à gestação. A maternidade transforma o corpo e também a forma como a mulher se vê.

Respeitar esse processo, sem idealizações irreais, faz parte do cuidado. Recuperar a própria imagem não apaga a maternidade; integra essa experiência a uma nova fase. Para muitas mulheres, isso começa quando conseguem se olhar no espelho e se reconhecer novamente.

Artigo escrito pela cirurgiã plástica Mariana Fernandes Zalli (CRM/SC 18.651 | RQE 18.864), formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB) e membro da Brazil Health.

Apuração original do portal CNN Brasil

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