domingo, 7 junho, 2026

Um em cada quatro brasileiros não sabe que câncer pode ser prevenido

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Resumo: Um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer é uma doença que pode ser prevenida. É o que aponta o relatório “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, divulgado nesta quarta-feira (3). O estudo investigou como a população percebe riscos como tabagismo, álcool, ultraprocessados e sedentarismo. O Inca estima 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026/2028, aumento de 10,9% em relação ao período anterior. A pesquisa ouviu 6,5 mil pessoas em todo o país.

Um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer é uma doença que pode ser prevenida. A informação faz parte do relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, divulgada nesta quarta-feira (3). O estudo investigou de que forma a população percebe e se relaciona com alguns fatores de risco para o câncer como tabagismo, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e sedentarismo.

De acordo com Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 781 mil casos novos de câncer por ano no triênio 2026/2028. O volume representa aumento de 10,9% em relação ao período anterior, impulsionado pelo envelhecimento da população e por hábitos de vida. A pesquisa é a primeira edição de abrangência nacional que investiga o conhecimento dos brasileiros em relação à prevenção do câncer, incluindo o que pensam e fazem sobre o assunto. O estudo foi realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca. Foram entrevistadas 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

Enquanto alguns hábitos, como o fumo e a exposição solar sem proteção são mais percebidos pela população como perigosos, outros não são vistos como fatores de risco para o câncer. É o caso do sedentarismo, por exemplo, que aparece nas últimas posições dessa lista. Menos da metade dos brasileiros (48,3%) acha que a falta de atividade física favorece o desenvolvimento da doença.

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Percepção varia conforme o fator de risco

Na avaliação da Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Luciana Grucci Moreira, percebe-se uma melhora no Brasil em termos de percepção da população, especialmente em comparação aos estudos internacionais. O maior exemplo disso é o fumo, que apresenta reconhecimento de fator de risco bastante elevado entre a população adulta brasileira: 90,5% disseram saber que fumar causa câncer. Os outros dois fatores com maior índice de percepção são herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%). Já outros fatores não são percebidos da mesma forma: bebidas alcoólicas são apontadas como fator de risco por 71,3%; alimentos embutidos (presunto, salsicha) por 70,7%; e ultraprocessados (macarrão instantâneo, salgadinhos, sorvete) por 65,6%.

Para a especialista, a principal diferença para os distintos graus de percepção são políticas públicas e campanhas informativas, como as implementadas em relação ao cigarro nas últimas décadas. “Advertências em embalagens, impostos para elevar o preço do tabaco, ambientes restritos de fumo. Ou seja, um conjunto de políticas públicas e muita campanha informativa que já foram desenvolvidas acerca do tabaco”, compara. Ela acredita que para ampliar a percepção da população, é preciso avançar em ações semelhantes para os outros fatores de risco.

O estudo mostra, ainda, que a população desconhece que o aleitamento materno é um fator de proteção para o desenvolvimento do câncer de mama. A cada 10 entrevistados, quatro não sabiam dessa informação. “A mulher que amamenta tem uma proteção maior contra o câncer de mama quando comparada com aquela mulher que não tem oportunidade de amamentar.”

Obesidade, alimentação e sedentarismo são pouco associados ao câncer

O sobrepeso e a obesidade são conhecidos como fator de risco para o câncer por apenas 54,1% da população. O mesmo ocorre em relação ao consumo de bebidas adoçadas (refrigerantes), baixa ingestão de frutas e verduras e o sedentarismo, associados ao câncer por somente 55,3%, 53,3% e 48,3% dos adultos brasileiros, respectivamente. A carne vermelha é reconhecida como item que aumenta a chance de desenvolver câncer por menos de três em cada dez brasileiros (27,5%).

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“Lembrando que não é só a informação que é determinante para uma escolha alimentar. Existem outras questões como o acesso ao alimento, renda, preço dos alimentos, marketing. A gente precisa avançar em outras políticas públicas também conjuntamente para promover não só essa percepção, como a melhora das escolhas mais saudáveis por parte da população”, defende. Ela reforça a necessidade de políticas públicas para prevenir fatores ambientais e comportamentais que aumentam a chance de se desenvolver um câncer, como a atividade física e a alimentação adequada. “Não é só falar: ‘faça atividade física’. A rua em que a pessoa mora tem que estar iluminada, com segurança, para ela praticar exercício. A política pública tem esse papel de dar a opção de melhores escolhas para todos esses fatores de risco”, explica.

A pesquisa também investigou hábitos da população relacionados aos fatores de risco. Cerca de 45% dos indivíduos relataram consumir produtos ultraprocessados e ter tentado reduzir o consumo, enquanto 33% afirmam não consumir e 15% consomem e não têm intenção de reduzir. Em relação aos refrigerantes e bebidas adoçadas, aproximadamente 53% relataram consumo com tentativa de redução, 27% não consomem e cerca de 15% não querem reduzir. Para a carne vermelha, 45% consomem sem tentar reduzir, 40% consomem e tentam reduzir, e apenas 10% não consomem. Em contrapartida, 86,3% da população afirmou consumir frutas, legumes e verduras.

Os jovens até 24 anos são os que mais consomem alimentos relacionados a fatores de risco sem intenção de reduzir: ultraprocessados (32,3%), bebidas adoçadas (24,4%), embutidos (29,5%) e carne vermelha (49,1%). Sobre bebidas alcoólicas, metade da população (50,1%) não consome; 32,5% já tentaram reduzir. Jovens até 24 anos são maioria entre os que bebem e não querem reduzir (16,9%), contra 8,7% das pessoas de 25 a 59 anos e 7,1% dos maiores de 60 anos. Em relação ao sedentarismo, 52,2% praticam atividade física e 39% querem começar. Pessoas de maior renda têm mais conhecimento sobre a importância da atividade física na prevenção. Sobre o peso corporal, 48,8% se consideram com peso saudável; entre os que reconhecem excesso de peso, 31% estão fazendo algo a respeito, percentual que cai para 22,9% entre os de menor renda.

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Para o Inca, o resultado do estudo permite planejar esforços para levar informação de qualidade à população. “Se a população hoje não reconhece, por exemplo, que as carnes processadas aumentam o risco de câncer, essa informação é muito importante para nós, que trabalhamos com ações de prevenção e com criação de políticas públicas, de que é preciso investir em estratégias de comunicação”, afirma Luciana Moreira. Luciana Sardinha, da Vital Strategies, acredita que o estudo tem um efeito muito positivo para despertar na população o interesse pelo assunto: “Ao dar visibilidade aos resultados, eles chamam a atenção da população para os fatores de risco para o câncer”.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

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