Brasil buscará novos parceiros comerciais ante taxação dos EUA, afirma presidente

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Resumo: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil continuará buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros. Lula também anunciou que participará da reunião do G7 em junho, na França, e criticou o desmonte do multilateralismo.

“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado. “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses de pagamento eletrônico, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.

Lula anuncia ida ao G7 e defende multilateralismo

Lula afirmou que agora vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne líderes da Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron. “Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa do fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

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Negociação frustrada e impacto nas exportações

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a decisão tarifária dos EUA ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até 15 de julho, quando os EUA poderão adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude estadunidense é insensata, pois havia uma negociação em curso. Ele lembrou que, em maio, acordou com Donald Trump um prazo de 30 dias para um acordo comercial. Os dois se reuniram na Casa Branca, e Lula entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi de US$ 415 bilhões. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula.

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