quarta-feira, 27 maio, 2026

Confiança da indústria atinge maior nível em um ano, aponta FGV

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A confiança da indústria brasileira voltou a crescer em maio e atingiu o maior nível em um ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço acontece após a queda registrada no mês anterior e reflete melhora na percepção dos empresários sobre a situação atual da economia, embora o setor ainda demonstre cautela em relação aos próximos meses.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 1,1 ponto em relação a abril e chegou a 97,1 pontos, maior patamar desde maio de 2025.

Segundo a FGV, o resultado foi puxado principalmente pela recuperação da avaliação sobre demanda e pela normalização gradual dos estoques em parte das indústrias brasileiras.

O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção sobre o momento presente da atividade industrial, subiu 2,2 pontos e alcançou 98,7 pontos, também no maior nível em um ano.

Empresários seguem cautelosos com próximos meses

Apesar da melhora no cenário atual, a percepção sobre o futuro ainda mostra preocupação dentro do setor industrial.

O Índice de Expectativas (IE), responsável por medir a visão dos empresários sobre os próximos meses, praticamente ficou estável e avançou apenas 0,1 ponto, chegando a 95,6 pontos.

Segundo Stéfano Pacini, economista do FGV/Ibre, a recuperação recente acontece em meio à reorganização do mercado após os primeiros impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre cadeias globais de produção.

Ao mesmo tempo, empresários seguem atentos aos efeitos da alta do petróleo, da instabilidade internacional e da política de juros no Brasil.

Juros e cenário externo seguem no radar da indústria

A indústria brasileira continua sensível às oscilações do cenário internacional, principalmente em setores ligados a bens de consumo não duráveis e atividades dependentes de matéria-prima importada.

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Segundo Pacini, enquanto persistirem as tensões geopolíticas no Oriente Médio, o ambiente econômico continuará pressionando custos de produção e dificultando uma redução mais acelerada da taxa básica de juros no país.

O Banco Central volta a se reunir em junho após reduzir a Selic para 14,50% na última reunião, movimento considerado cauteloso pelo mercado financeiro.

A taxa de juros elevada continua sendo um dos principais fatores de pressão para a atividade industrial, especialmente em segmentos que dependem de crédito e consumo interno.

Segundo informações divulgadas pela FGV, a melhora registrada em maio ainda não elimina o cenário de incerteza que acompanha o setor desde o início do ano.

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