A farmacêutica Libbs anunciou que vai interromper a venda do Emgality no Brasil a partir de junho, retirando do mercado um dos principais medicamentos usados no tratamento da enxaqueca crônica. A decisão foi comunicada à Anvisa no início de maio e preocupa pacientes que dependem da medicação, conhecida pela alta eficácia, mas também pelo custo elevado.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, a empresa não explicou o motivo da descontinuação e afirmou apenas que a medida faz parte de uma “atualização do portfólio da companhia”. Os estoques restantes continuarão disponíveis nas farmácias até se esgotarem.
O Emgality, cujo princípio ativo é o galcanezumabe, foi aprovado pela Anvisa em 2019. O tratamento exige aplicações mensais e pode custar entre R$ 1.200 e R$ 1.300 por dose, valor que dificulta o acesso da maior parte dos pacientes. A medicação é administrada por meio de três injeções consecutivas em seringas pré-preenchidas.
A saída do remédio ocorre justamente quando cresciam as discussões sobre uma possível incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde e à cobertura obrigatória dos planos de saúde.
Pacientes temem falta de alternativas
A notícia provocou reação entre usuários do medicamento. Um abaixo-assinado criado para pressionar os laboratórios a manterem a comercialização do produto reuniu mais de 500 assinaturas até segunda-feira (11).
Pacientes relatam preocupação com a possibilidade de substituição por medicamentos que não apresentem a mesma resposta clínica. Hoje, o Brasil conta com alternativas semelhantes, como Pasurta e Ajovy, mas ambos também têm preços elevados e podem ultrapassar R$ 1.300 por aplicação.
A enxaqueca crônica afeta milhões de pessoas e pode provocar dores intensas, sensibilidade à luz, náuseas e incapacidade funcional por longos períodos. Nos casos mais graves, pacientes convivem com crises frequentes ao longo do mês, comprometendo trabalho, rotina e qualidade de vida.





