Resumo: O papa Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) um ano como líder da Igreja Católica. O período foi marcado por um confronto público com o presidente dos EUA, Donald Trump, que o acusou de ser “fraco e liberal”. Leão XIV respondeu que sua missão é “proclamar o Evangelho, não ser político”. O pontificado também trouxe reformas na Cúria Romana, viagens à África e posicionamentos sobre guerras e inteligência artificial. Em estilo mais institucional que o antecessor, Francisco, o papa norte-americano busca equilibrar continuidade e renovação.
O papa Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) um ano de pontificado, período marcado por um confronto inédito com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O tom do papado combina prudência institucional com afirmação moral, equilibrando tradição e diálogo com o mundo contemporâneo.
A tensão com Trump, que o acusou de ser “fraco” e “demasiado liberal”, tornou-se o episódio mais midiático dos primeiros 12 meses. Leão XIV respondeu que “não tem medo” do presidente norte-americano, após críticas a ameaças contra o Irã, e que sua missão é “proclamar o Evangelho, não ser político”.
Confronto com Trump e posicionamento internacional
O jornal digital Sete Margens lembra que Leão XIV não hesitou em afirmar que as políticas de imigração dos EUA vão contra os ensinamentos da Igreja. Ele escolheu um imigrante que entrou clandestinamente no país como bispo da Virgínia Ocidental. O papa também condenou a “diplomacia da força” após as operações militares na Venezuela e no Irã, defendendo o diálogo como o único caminho para a paz justa.
O embate atingiu o auge há três semanas, quando Trump rotulou publicamente Leão XIV de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Na resposta, o bispo de Roma procurou se deslocar do lugar de rival, esclarecendo não ser um político. “Não lidamos com política externa na mesma perspectiva que ele talvez a entenda; eu acredito na mensagem do Evangelho, como um pacificador”, afirmou.
Um ano de pontificado: estilo e reformas
Eleito em 8 de maio de 2025 na quarta votação do conclave, o antigo cardeal norte-americano Robert Francis Prevost — primeiro papa dos Estados Unidos e primeiro agostiniano — surgiu como candidato de compromisso, com experiência curial e forte percurso missionário no Peru. Logo na primeira semana, Leão XIV marcou o estilo: na missa inaugural, afirmou que a Igreja deve ser “farol que ilumina as noites do mundo” e, dias depois, lembrou aos funcionários do Vaticano que “os papas passam, mas a Cúria permanece”.
Ao longo do ano, Leão XIV procurou equilibrar continuidade e correção em relação ao legado do Papa Francisco, mantendo a orientação pastoral e social, mas com maior ênfase na ordem interna e na estabilidade. Entre as principais reformas, destacam-se a reorganização da Cúria Romana, o reforço do papel da Secretaria de Estado e a aposta na coordenação interdepartamental, num modelo descrito como “reforma por absorção”.
No plano doutrinário, Leão XIV reafirmou posições tradicionais — contra o aborto, a eutanásia e a ordenação feminina — e publicou textos como Una caro, defendendo a monogamia, ao mesmo tempo que procurou reduzir conflitos internos ao evitar debates prolongados.
Agenda internacional e as diferenças com Francisco
A agenda internacional revelou um papa atento aos grandes conflitos globais: na Ucrânia, apelou a “negociações para uma paz justa”; no Oriente Médio, condenou a guerra e denunciou a “ilusão de onipotência” dos líderes. A visita à África, em abril, foi um dos momentos altos do pontificado, com particular impacto em Angola, onde criticou a “lógica extrativista” e alertou que o país “não deve ser tratado como uma mina a céu aberto”.
Desde o início do pontificado, ficou claro que Leão XIV não seguiria os passos do seu antecessor. Enquanto Francisco preferiu viver na Casa Santa Marta, Leão escolheu regressar ao Palácio Apostólico. Se Francisco lavava os pés de reclusos na quinta-feira santa, Leão lavou os pés dos padres da diocese de Roma. Adotou também uma postura mais conciliadora em relação à Missa Tridentina, autorizando sua celebração na Basílica de São Pedro.
Como destaca o Sete Margens: “Uma coisa Leão XIV já provou ao longo deste ano: é possível dar continuidade a quem nos antecede e simultaneamente trilhar o próprio caminho, estar preso a uma raiz e não deixar de ser livre, reconhecer o valor da tradição e mesmo assim ser profeta.”





