Nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o recente surto de hantavirose registrado em um navio de cruzeiro de luxo foi provocado pela cepa Andes. A descoberta acende um alerta sanitário, uma vez que esta variante, comum em regiões da Argentina e do Chile, possui uma característica biológica atípica: a capacidade de transmissão entre seres humanos.
Embora o hantavírus seja tradicionalmente disseminado pelo contato com secreções de roedores silvestres, a variante andina é a única conhecida capaz de se propagar através do contato próximo e prolongado entre pessoas. O episódio no cruzeiro é considerado uma exceção à regra epidemiológica da doença, que costuma estar restrita a ambientes rurais e atividades agrícolas.
O diferencial da cepa Andes e os riscos à saúde
A hantavirose manifesta-se em duas formas principais: uma que atinge o sistema renal e outra, mais severa, que compromete os pulmões. Esta última, conhecida como Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), é prevalente nas Américas e apresenta uma taxa de letalidade preocupante, aproximando-se dos 40%.
O diagnóstico precoce é um dos maiores desafios para as autoridades de saúde. Nas primeiras 72 horas, os sintomas são facilmente confundidos com uma gripe comum, o que pode atrasar o tratamento adequado.
Progressão dos sintomas
A doença geralmente evolui em dois estágios distintos, conforme observado pelo CDC:
- Fase Inicial (1 a 8 semanas após a exposição): Caracterizada por fadiga, febre e dores musculares.
- Fase Crítica (4 a 10 dias após os primeiros sintomas): Surgimento de tosse intensa, falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar).
Tratamento e Prevenção
Até o momento, não existe um medicamento antiviral específico ou vacina para combater a infecção. O protocolo médico baseia-se em cuidados de suporte, como hidratação rigorosa e, em casos graves, o auxílio de ventilação mecânica em unidades de terapia intensiva.
Para evitar a propagação do vírus, especialistas recomendam:
- Controle de roedores: Manter áreas residenciais e de lazer livres de vestígios de ratos silvestres.
- Cuidado na limpeza: Jamais varrer ou usar aspirador de pó em locais com fezes ou urina de roedores. O ideal é umedecer o local com desinfetante ou solução de cloro antes da limpeza para evitar que as partículas virais flutuem no ar (aerossolização).
- Monitoramento: Em casos de suspeita de contato com a cepa Andes, o isolamento e a observação médica são fundamentais devido ao risco de contágio interpessoal.
Fonte: Exame / OMS





