quinta-feira, 2 abril, 2026

Cesta de Páscoa mais barata pelo segundo ano consecutivo, aponta FGV

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A cesta de Páscoa mais barata é realidade pelo segundo ano seguido no Brasil. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o conjunto de produtos típicos da data — incluindo chocolates e bacalhau — custa 5,73% menos do que há 12 meses. Em 2025, o recuo já havia sido de 6,77%.

Os dados foram divulgados às vésperas do domingo de Páscoa (5). Para comparação, a inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV subiu 3,18% no período de abril de 2025 a março de 2026.

Chocolates e bacalhau sobem acima da inflação

Apesar da cesta de Páscoa mais barata no conjunto, alguns itens registraram aumentos expressivos. Bombons e chocolates ficaram 16,71% mais caros, enquanto o bacalhau subiu 9,9% no período. A sardinha em conserva avançou 8,84%, e o atum, 6,41%.

Já os produtos que puxaram a cesta para baixo foram arroz (-26,11%), azeite (-23,20%) e ovos de galinha (-14,56%). Os pescados frescos subiram 1,74%, e os vinhos tiveram alta de 0,73%.

Série histórica mostra dois anos de deflação na Páscoa

Nas últimas quatro Páscoas, o comportamento foi alternado:

  • 2026: -5,73%
  • 2025: -6,77%
  • 2024: +16,73%
  • 2023: +13,16%

O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, explica que a variação acumulada dos preços de Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37%, índice ligeiramente inferior à inflação geral ao consumidor no mesmo período (16,53%).

Por que o chocolate continua caro mesmo com cacau em queda?

Mesmo com o cacau registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025 — recuo de cerca de 60% nos últimos 12 meses — os preços dos chocolates ao consumidor subiram 16,71%. Segundo Matheus Dias, a explicação está na defasagem de repasse de produtos industrializados.

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“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor”, afirma o economista.

Procurada, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) destacou que o preço não é determinado apenas pelo cacau. Leite, açúcar, frete e variação do dólar também influenciam. A entidade informou ainda que foram lançados 800 itens no mercado este ano, sendo 134 novidades.

Concentração de mercado e impacto do El Niño

Estudo do economista Valter Palmieri Junior, da Unicamp, aponta que a concentração industrial é um fator de alta consistente nos preços. Cinco marcas de bombons e chocolates, controladas por três empresas, detêm 83% do mercado.

Em 2024, o fenômeno El Niño devastou plantações em Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial de cacau. O déficit foi de 700 mil toneladas, e o preço da tonelada na Bolsa de Nova York chegou a US$ 11 mil. Atualmente, a cotação beira US$ 3,3 mil.

Empregos temporários crescem 50% para a Páscoa

A expectativa da indústria para a Páscoa de 2026 é positiva. Segundo a Abicab, o número de empregos temporários chegou a 14,6 mil, alta de 50% em relação a 2025. Desses, 20% devem se tornar efetivos com carteira assinada.

Pesquisa do Instituto Locomotiva revela que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano, o que reforça a movimentação econômica em torno da data.

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