Crianças com autismo, deficiência intelectual e outras condições que demandam apoio especializado estavam sendo retiradas de suas turmas durante o horário regular de aulas em ao menos 11 escolas de Chapecó. Após receber relatos de dezenas de famílias e realizar visitas às escolas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) enviou, nessa segunda-feira (16), uma recomendação à Secretaria Municipal de Educação pedindo mudanças imediatas no projeto “Salas Integrativas”.
A medida foi tomada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó, que recebeu relatos de famílias preocupadas com o afastamento das crianças das turmas de referência e com a possível vinculação do acesso ao segundo professor de apoio à participação no projeto.
Problemas identificados
Relatórios técnicos e visitas a escolas identificaram:
- Falta de profissionais especializados e de acessibilidade adequada.
- Salas com alunos de diferentes anos e necessidades reunidos no mesmo espaço.
- Falhas no planejamento individual e casos em que professoras afastadas não foram substituídas.
- Atividades das “Salas Integrativas” ocorrendo no mesmo turno das aulas regulares e sem registro de conteúdos, substituindo disciplinas da sala comum.
Pela legislação brasileira, esse tipo de atendimento especializado deve complementar as aulas regulares, e não as substituir, sendo preferencialmente realizado no contraturno.
O que deve ser ajustado
A recomendação enviada pelo MPSC pede que o Município:
- Garanta, a partir do recebimento, que os alunos permaneçam prioritariamente em suas turmas regulares e tenham acesso ao segundo professor sempre que necessário, sem qualquer condicionamento à participação no projeto.
- Em até 30 dias, faça ajustes pedagógicos, como criação de planos individuais, articulação entre professores e critérios transparentes para encaminhamento.
- Em até 60 dias, formalize o projeto, apresente-o ao Conselho Municipal de Educação e informe oficialmente as famílias.
- Informe ao Ministério Público, em até 10 dias, se vai cumprir as orientações e quais ações pretende adotar.
Caso a Secretaria não cumpra as orientações, o Ministério Público poderá adotar outras medidas, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública.





