quinta-feira, 19 março, 2026

MPSC recomenda que Chapecó ajuste projeto que retira crianças com autismo das salas regulares

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Crianças com autismo, deficiência intelectual e outras condições que demandam apoio especializado estavam sendo retiradas de suas turmas durante o horário regular de aulas em ao menos 11 escolas de Chapecó. Após receber relatos de dezenas de famílias e realizar visitas às escolas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) enviou, nessa segunda-feira (16), uma recomendação à Secretaria Municipal de Educação pedindo mudanças imediatas no projeto “Salas Integrativas”.

A medida foi tomada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó, que recebeu relatos de famílias preocupadas com o afastamento das crianças das turmas de referência e com a possível vinculação do acesso ao segundo professor de apoio à participação no projeto.

Problemas identificados

Relatórios técnicos e visitas a escolas identificaram:

  • Falta de profissionais especializados e de acessibilidade adequada.
  • Salas com alunos de diferentes anos e necessidades reunidos no mesmo espaço.
  • Falhas no planejamento individual e casos em que professoras afastadas não foram substituídas.
  • Atividades das “Salas Integrativas” ocorrendo no mesmo turno das aulas regulares e sem registro de conteúdos, substituindo disciplinas da sala comum.

Pela legislação brasileira, esse tipo de atendimento especializado deve complementar as aulas regulares, e não as substituir, sendo preferencialmente realizado no contraturno.

O que deve ser ajustado

A recomendação enviada pelo MPSC pede que o Município:

  • Garanta, a partir do recebimento, que os alunos permaneçam prioritariamente em suas turmas regulares e tenham acesso ao segundo professor sempre que necessário, sem qualquer condicionamento à participação no projeto.
  • Em até 30 dias, faça ajustes pedagógicos, como criação de planos individuais, articulação entre professores e critérios transparentes para encaminhamento.
  • Em até 60 dias, formalize o projeto, apresente-o ao Conselho Municipal de Educação e informe oficialmente as famílias.
  • Informe ao Ministério Público, em até 10 dias, se vai cumprir as orientações e quais ações pretende adotar.
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Caso a Secretaria não cumpra as orientações, o Ministério Público poderá adotar outras medidas, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública.

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