A Mercoagro 2026 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne – já é uma realidade. A maior expo-feira do setor da carne na América Latina começou nesta segunda-feira, 16, em Chapecó (SC), com a solenidade de abertura e a realização do painel “A Importância das Cooperativas no Mercado Mundial das Carnes”.
O presidente da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio de Serviços de Chapecó (ACIC), Carlos Roberto Klaus, frisou que a Mercoagro 2026 é símbolo de fé no empreendedorismo e na indústria. “A Mercoagro também surge como um contraponto positivo diante do momento político preocupante que o país atravessa. A radicalização de posições ideológicas e a sucessão de escândalos envolvendo altas figuras da vida pública acabam desanimando o cidadão brasileiro e dificultando o debate sobre as grandes questões nacionais. Na contramão desse cenário, a Mercoagro 2026 representa inovação, avanço tecnológico e evolução conceitual da indústria da carne, demonstrando resiliência, empreendedorismo, abertura às mudanças e confiança no futuro”.
Painel debate importância das cooperativas
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, salientou que as cooperativas convidadas para o painel na Mercoagro 2026 já alcançam o mesmo porte das maiores empresas globais que atuam no Brasil. “Cooperativas que começaram, muitas vezes, pequenas, hoje têm participação equivalente na produção nacional. E quando analisamos a suinocultura, o cenário é ainda mais expressivo: as cooperativas superam as grandes empresas globais em participação na produção. Isso demonstra a força do cooperativismo no mercado mundial das carnes”.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou durante a Mercoagro 2026 que o consumo per capita de carne de frango no Brasil já alcança 45,5 quilos por habitante ao ano. No caso da carne suína, o consumo per capita é de 18,6 quilos por habitante. “Nós acreditamos no futuro e em bons números, porque produzimos alimentos de qualidade, e o mundo reserva um espaço para essa produção, diante do crescimento populacional diário”.
Perspectivas de crescimento do setor
Segundo Canton, as demandas tendem a crescer ainda mais, tema debatido na Mercoagro 2026. “Nos próximos 50 anos, o mundo precisará produzir 100% mais alimentos do que produz atualmente. E estima-se que 70% desse aumento virá de novas tecnologias, uma excelente notícia para quem investe em inovação e desenvolvimento”, observou o presidente.
“Hoje as cooperativas têm uma representatividade enorme nas exportações brasileiras de proteínas, especialmente em suínos, aves e agora também peixes. Cada cooperativa precisou se organizar muito para se inserir nesse mercado. E esse processo funciona como uma via de duas mãos: ao mesmo tempo em que participamos do mercado global, também levamos renda e desenvolvimento para as nossas comunidades”, pontuou o presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, durante painel na Mercoagro 2026.
Irineo também comentou que a Lar Cooperativa começou pequena, com 55 agricultores, muitos deles imigrantes do Rio Grande do Sul e do Oeste de Santa Catarina, que se estabeleceram no oeste do Paraná, o que caracteriza o perfil de expansão do cooperativismo debatido na Mercoagro 2026.
Cooperativismo como vetor de desenvolvimento
“Onde tem cooperativa tem desenvolvimento, mais renda e oportunidades da comunidade”, afirmou o presidente da Frimesa Cooperativa Central, Elias Zydek, durante a Mercoagro 2026. Ele também ressaltou que eventos como a Mercoagro mostram que é preciso ter cada vez mais tecnologia e inovação.
“Precisamos avançar no desenvolvimento de alimentos prontos, práticos, saudáveis e de qualidade, adequados às demandas de um consumidor que se transforma constantemente. Os costumes continuam evoluindo, e esse talvez seja o grande desafio dos próximos 20 anos: adaptar todo o sistema produtivo da produção no campo à indústria, logística e distribuição para atender esse novo perfil de consumo, tanto no Brasil quanto no mercado internacional”, completou.
O presidente da Coopavel Cooperativa Agroindustrial, Dilvo Grolli, observou na Mercoagro 2026 o perfil dos produtores que integram as cooperativas representadas no painel. “Quando falamos sobre a importância das cooperativas, é preciso olhar para a realidade da região Sul do Brasil. Nos três estados do Sul, cerca de 74% dos produtores são pequenos, entre 20% e 22% são médios produtores, e apenas 4% a 6% são grandes produtores. E por que as cooperativas prosperaram tanto nessa região? Porque elas se tornaram o porto seguro do pequeno e do médio produtor”.
Segundo Grolli, foi a combinação entre necessidade social e espírito empreendedor que permitiu o surgimento de cooperativas fortes, com papel decisivo não apenas no mercado nacional, mas também no mercado internacional. “Quando falamos em cooperativismo, estamos falando de integração de pessoas. E, se não houvesse essa integração, nós não teríamos alcançado o sucesso que o cooperativismo conquistou em uma região marcada pela presença predominante de pequenos e médios produtores”.
Números da Mercoagro 2026
A Mercoagro 2026 acontece até sexta-feira em Chapecó e reúne 250 expositores que representam mais de 700 marcas. Entre os expositores, 62 (25%) são da Capital do Oeste. A feira mobiliza mais de 120 fornecedores locais e deve gerar cerca de R$ 15 milhões em movimentação econômica local.
A Mercoagro 2026 projeta mais de 3 mil empregos diretos e indiretos, R$ 1 bilhão em contratos nacionais e internacionais, e mais de 25 mil visitantes.
A exposição-feira conta com parceria da Prefeitura de Chapecó e patrocínio da Aurora Coop, BRDE, Unimed Chapecó e Sicoob, além do apoio institucional do Nucleovet, Chapecó Convention & Visitors Bureau, Fiesc/Senai, Sebrae/SC, SESI, Unochapecó e Pollen Parque. O credenciamento e as informações comerciais estão disponíveis no site oficial www.mercoagro.com.br.













