O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, testemunhou nesta quarta-feira (18) em um julgamento histórico em Los Angeles sobre o impacto do Instagram e do Facebook na saúde mental de jovens usuários. A ação foi movida por uma mulher que alega que as plataformas contribuíram para sua depressão e pensamentos suicidas ainda na infância.
Durante o depoimento, Zuckerberg foi confrontado com documentos internos que sugerem que a empresa tinha conhecimento dos riscos e, ainda assim, buscava atrair o público adolescente — inclusive crianças abaixo da idade mínima permitida, de 13 anos.
Documentos internos contradizem discurso oficial
O advogado Mark Lanier, que representa a autora da ação, pressionou Zuckerberg sobre declarações feitas ao Congresso dos EUA em 2024, quando afirmou que a Meta não permite usuários menores de 13 anos. Lanier apresentou documentos internos, incluindo uma apresentação do Instagram de 2018 que dizia: “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência”.
Zuckerberg rebateu que Lanier estava “distorcendo” suas palavras e afirmou que a Meta discutiu, mas não concretizou, uma versão do Instagram para crianças abaixo da idade permitida. Ele também mencionou a dificuldade de verificar a idade dos usuários, defendendo que a responsabilidade deveria ser dos fabricantes de dispositivos móveis.
Metas de tempo de tela e receita
Outro ponto central do julgamento foram as metas internas para aumentar o tempo que os usuários passam no aplicativo. E-mails de 2014 e 2015 mostraram Zuckerberg estabelecendo metas de crescimento de dois dígitos percentuais no tempo de uso. Um documento de 2022 listava “marcos” para elevar o tempo médio diário no Instagram de 40 minutos (2023) para 46 minutos (2026).
Zuckerberg afirmou que essas não eram “metas”, mas sim “constatações” sobre o desempenho da empresa. Ele testemunhou que adolescentes representam menos de 1% da receita da Meta.
Reação global e impacto jurídico
O julgamento é um caso de teste para milhares de ações judiciais nos EUA movidas por famílias, distritos escolares e estados, que acusam as gigantes de tecnologia de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens. Empresas como Snap e TikTok já chegaram a um acordo com a autora antes do início do julgamento.
Do lado de fora do tribunal, Matthew Bergman, advogado que representa pais de vítimas, afirmou: “Sabemos que, simplesmente por termos alcançado esse marco, a Justiça foi feita”.
O caso também reflete um movimento global de regulação: a Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos a plataformas sociais, e a Flórida aprovou lei restringindo o acesso de menores de 14 anos, atualmente contestada por associações do setor.
Defesa da Meta
A Meta e o Google negam as alegações e destacam recursos de segurança implementados. A defesa argumenta que os problemas de saúde da autora têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais eram uma forma de expressão criativa para ela.
Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou na semana passada que desconhecia um estudo recente da Meta que não encontrou ligação entre supervisão parental e atenção dos adolescentes ao uso das redes.
O julgamento prossegue e um veredicto desfavorável à Meta pode abrir precedente para responsabilizar legalmente as plataformas por danos à saúde mental dos usuários.






