terça-feira, 10 março, 2026

Fiocruz produzirá canetas emagrecedoras no Brasil em acordo com a EMS

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A Fiocruz firmou dois acordos com a farmacêutica EMS para produzir no Brasil os medicamentos à base de liraglutida e semaglutida, substâncias conhecidas como canetas emagrecedoras, usadas no tratamento de diabetes e obesidade.

Os acordos preveem a transferência de tecnologia para a Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz. A produção será iniciada na fábrica da EMS em Hortolândia (SP) e, com o tempo, será totalmente transferida para o Complexo Tecnológico de Medicamentos, no Rio de Janeiro.

Medicamentos de alta eficácia

Segundo nota conjunta divulgada pelas instituições, as injeções subcutâneas com GLP-1 são consideradas uma alternativa de alta eficácia e inovação para o controle de doenças crônicas como diabetes tipo 2 e obesidade.

Para a EMS, os acordos representam um marco histórico para a indústria farmacêutica nacional. Já a Fiocruz reforçou que a união entre o setor público e privado potencializa a produção de medicamentos complexos no Brasil.

A produção dos injetáveis também marca a entrada da Fiocruz nesse novo formato farmacêutico, fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde com soluções tecnológicas de ponta.

Regulação mais rígida nas farmácias

Desde junho, farmácias e drogarias em todo o país estão obrigadas a reter receitas médicas para a venda das canetas emagrecedoras. A nova norma vale para medicamentos com os princípios ativos semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida.

A medida foi aprovada pela Anvisa em abril, diante do crescimento do uso fora das indicações clínicas aprovadas. Em nota, a agência explicou que a decisão visa proteger a população de eventos adversos relacionados à automedicação.

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Preocupações com o uso indiscriminado

Entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes apoiaram a retenção da receita. Para elas, a venda irregular desses medicamentos sem prescrição tem sido recorrente.

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A legislação exige receita, mas não a retenção. Essa brecha facilita o acesso indiscriminado e expõe a população a riscos desnecessários”, alertaram em nota.

Semaglutida no SUS?

Em junho, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) abriu consulta pública para avaliar se o medicamento semaglutida deve ser oferecido pela rede pública de saúde. A proposta foi enviada pela fabricante Novo Nordisk, responsável pelo Wegovy.

Apesar do interesse público, a comissão emitiu parecer contrário à incorporação, alegando custos elevados de até R$ 7 bilhões em cinco anos para o Sistema Único de Saúde.

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