quarta-feira, 24 junho, 2026

Embraer reforça empregos no Brasil e busca tarifa zero nas exportações aos EUA

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Empresa escapa de tarifa de 50% e mantém foco na competitividade internacional

A Embraer descartou qualquer possibilidade de demissões no Brasil em 2025 e reafirmou o compromisso com a expansão de suas operações, mesmo diante da nova taxação de 10% imposta pelos Estados Unidos desde abril. A meta agora é clara: restaurar a tarifa zero nas exportações para o principal mercado da companhia.

A declaração foi feita nesta terça-feira (5) pelo diretor-executivo Francisco Gomes Neto, durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Segundo ele, a companhia trabalha em conjunto com o governo brasileiro e autoridades americanas para retomar as condições que vigoraram nos últimos 45 anos.

Redução da tarifa evitou impacto maior

Desde abril, a Embraer paga 10% de tarifa sobre partes de aviões executivos enviados à sua subsidiária nos Estados Unidos. A medida representa um impacto de cerca de US$ 65 milhões ao longo do ano — 20% já sentidos no primeiro semestre e 80% projetados para os próximos meses.

Apesar do custo, a empresa considera o cenário atual mais gerenciável, principalmente por ter escapado da proposta inicial de tarifa de 50%, anunciada pelo governo americano, mas da qual a indústria aeronáutica acabou isenta.

Empregos mantidos e projeções confirmadas

Com 18 mil empregados no Brasil, a Embraer afirma que não haverá cortes. “Estamos mantendo o nosso guidance para o ano e, para isso, é essencial entregarmos todos os aviões planejados. Não há nenhuma previsão de redução de pessoal ligada à produção”, disse Francisco Neto.

A receita com exportações continua estratégica. No caso dos jatos comerciais vendidos aos EUA, a tarifa é absorvida pelos compradores, o que encarece o produto final, mas ainda assim mantém a atratividade dos modelos.

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Tarifa zero como meta estratégica

A restauração da tarifa zero é vista como prioridade. A empresa cita acordos recentes do Reino Unido e da União Europeia como exemplos viáveis de negociação. Para a Embraer, os Estados Unidos têm razões econômicas e políticas para retomar o modelo tarifário anterior.

Os EUA absorvem 70% dos jatos executivos da Embraer e 45% das aeronaves comerciais. No país, a companhia emprega diretamente cerca de 3 mil pessoas, número que salta para 13 mil considerando a cadeia de fornecedores. A empresa prevê ainda US$ 500 milhões em investimentos nos próximos cinco anos em Dallas (Texas) e Melbourne (Flórida), com a geração de mais 5.500 empregos até 2030.

Possibilidade de nova linha de montagem

Caso o governo americano opte por incorporar o avião militar KC-390 à sua frota, a Embraer pretende investir mais US$ 500 milhões em uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, com a geração de outros 2.500 postos de trabalho.

Francisco Neto destaca que, no processo de fabricação, a Embraer gasta mais com compras nos Estados Unidos do que com as vendas feitas ao país. A estimativa é de um saldo comercial positivo de US$ 8 bilhões para os americanos até 2030.

Melhor resultado de pedidos da história

No segundo trimestre, a Embraer entregou 61 aeronaves: 19 jatos comerciais, 38 executivos e 4 militares — crescimento de 30% em relação ao mesmo período de 2024. A empresa estima fechar o ano com a entrega de até 85 aviões comerciais e 155 jatos executivos.

A carteira de pedidos alcançou US$ 29,7 bilhões, o maior valor já registrado pela fabricante.

Presença global e estrutura no Brasil

Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aviões para clientes em mais de 100 países. A companhia conta com 23 mil funcionários, sendo 18 mil no Brasil, concentrados em São José dos Campos (SP) e em outras unidades nas cidades de Sorocaba, Botucatu, Gavião Peixoto, Florianópolis e Belo Horizonte.

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Além das operações brasileiras e americanas, a Embraer mantém uma fábrica em Portugal. Nos últimos anos, a empresa contratou 5 mil profissionais para atender à crescente demanda.

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