quinta-feira, 5 março, 2026

Fungo pode virar primeiro bioinsumo para controle biológico do arroz irrigado em SC

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Por: Mayara Leite – redatora Seo On

Santa Catarina – Pesquisadores da Estação Experimental da Epagri, em Itajaí, estão próximos de um avanço inédito no controle da principal praga do arroz irrigado em Santa Catarina: o percevejo do grão. A pesquisa “Prospecção e bioprospecção de microrganismos para controle do percevejo do grão na cultura do arroz irrigado” pretende desenvolver o primeiro bioinsumo para uso na lavoura, com potencial de reduzir custos, melhorar a qualidade do grão e diminuir riscos de contaminação do solo e da água.

O estudo é conduzido pelos engenheiros-agrônomos Marcos Lima Campos do Vale, Alexandre Visconti e Eduardo Hickel. Foi Eduardo quem, durante a entressafra, observou insetos mortos envoltos por um fungo nos meses frios. O microrganismo, identificado por Visconti como do gênero Beauveria, passou por testes de multiplicação, compatibilidade com defensivos e avaliação de sua capacidade de controle em laboratório e campo.

Etapas e testes da pesquisa

Alexandre Visconti liderou a identificação e multiplicação do fungo, além dos ensaios de compatibilidade com agrotóxicos aplicados na fase de enchimento de grãos no sistema pré-germinado. Já Marcos ficou responsável por formalizar o projeto junto a cooperativas e indústrias e avaliar a eficácia do bioinsumo em condições de campo.

A fase de validação ocorrerá na safra 2025/26, em uma propriedade rural. A expectativa é integrar o fungo ao manejo químico, criando um controle biológico e químico combinado. O projeto conta com o apoio da Urbano Alimentos, de Jaraguá do Sul, e das cooperativas Cooperja, Coopersulca e CooperJuriti. O desenvolvimento comercial ficará a cargo da Ballagro, empresa paulista especializada no setor.

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Impactos ambientais e comerciais

Segundo Marcos, o uso do bioinsumo reduz a necessidade de reaplicação de inseticidas, diminuindo a contaminação de trabalhadores, alimentos, solo e recursos hídricos. Essa prática também melhora a aceitação do arroz catarinense em mercados rigorosos, como União Europeia e Estados Unidos, que já rejeitaram cargas por resíduos químicos acima do permitido.

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Em 2026, a pesquisa avançará para testar o método autoinoculativo, no qual insetos contaminados pelo fungo são liberados na lavoura para espalhar a infecção. Outra linha de estudo avaliará o uso de feromônios para aumentar a eficácia do controle.

Com 145,2 mil hectares de arroz irrigado distribuídos em cinco mil propriedades, Santa Catarina é o segundo maior produtor do país. O potencial comercial da tecnologia se estende a outros estados e países do Mercosul, como Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina e Paraguai.

Fonte: Blog Epagri

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