quarta-feira, 28 janeiro, 2026

Remessa de lucros ao exterior atinge recorde histórico de US$ 18 bi em dezembro

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As empresas com operações no Brasil enviaram um volume recorde de capital para o exterior no fechamento de 2024. Dados do Banco Central revelam que as remessas de lucros somaram US$ 18 bilhões em dezembro, o maior valor mensal desde o início da série histórica, em 1995.

O montante representa mais que o dobro dos US$ 8,8 bilhões registrados em dezembro de 2023. Analistas atribuem o movimento a uma combinação de mudanças tributárias e aos bons resultados operacionais das companhias no período.

Antecipação tributária impulsiona saída de capital

O pico histórico coincide com a entrada em vigor, em janeiro de 2025, de uma nova retenção na fonte de 10% de Imposto de Renda sobre remessas de lucros. A medida foi aprovada pelo Congresso em 2024.

Fernando Rocha, chefe de Estatísticas do BC, avalia que o aumento expressivo pode indicar uma “antecipação estratégica” das empresas para evitar o impacto da nova tributação. O cenário também reflete a resiliência da economia, que gerou resultados positivos para as corporações.

Impacto direto nos investimentos no país

A forte saída de capital afetou diretamente os indicadores de investimento. O saldo de Investimentos Diretos no País (IDP) ficou negativo em US$ 5,248 bilhões em dezembro, uma queda acentuada frente à entrada líquida de US$ 160 milhões registrada um ano antes.

Foi o menor resultado para o mês em toda a história dos registros do Banco Central.

Distribuição supera reinvestimento

Outro dado relevante mostra que as saídas líquidas de lucros reinvestidos totalizaram US$ 11,4 bilhões. Esse valor negativo indica que a distribuição de dividendos a acionistas estrangeiros superou os lucros gerados e mantidos no Brasil no período.

O movimento sugere que, além de antecipar remessas por causa do imposto, as multinacionais optaram por uma política de retorno de capital mais agressiva aos seus controladores no exterior.

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Contexto da nova legislação tributária

A retenção de 10% de IR na fonte sobre remessas de lucros foi aprovada como parte de um pacote fiscal que também isentou de imposto trabalhadores com renda de até R$ 5.000. A expectativa era que a medida aumentasse a arrecadação com grandes corporações estrangeiras.

O recorde de dezembro, no entanto, mostra que a transição para a nova regra provocou um efeito imediato e significativo no fluxo de capitais, com empresas buscando maximizar suas remessas antes da taxação entrar em vigor.

Perspectivas para 2025

Com a nova alíquota já vigente, a expectativa do mercado é de que os volumes de remessa de lucros se normalizem nos próximos meses, retornando a patamares mais alinhados com os resultados operacionais.

Os dados de dezembro de 2024 ficarão como um marco atípico, influenciado por uma janela de oportunidade fiscal que as empresas se apressaram em utilizar.

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