Viver em outras vidas: em Chapecó, família cumpre desejo de doar órgãos e salva vidas

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Decisão unânime respeitou a vontade manifestada em vida por Edivan Tonato. No Dia Nacional da Doação de Órgãos, profissionais reforçam a importância da conversa familiar

A história de solidariedade da família Tonato, em Chapecó, exemplifica o impacto positivo que o diálogo sobre a doação de órgãos em vida traz no momento do luto. Após sofrer uma parada cardiorrespiratória e ter a morte encefálica confirmada no Hospital Unimed Chapecó, Edivan Tonato teve o seu desejo respeitado pelos familiares, transformando a dor da perda em recomeço para outros pacientes.

  • O que é: Relato da doação de órgãos autorizada pela família de Edivan Tonato e a importância do acolhimento hospitalar.
  • Números principais: Decisão respeitou a vontade comunicada previamente; data lembra o Dia Nacional de Doação de Órgãos (27 de setembro).
  • Onde: Hospital Unimed Chapecó, no Oeste catarinense.
  • Quem afeta: Familiares enlutados, receptores de órgãos e a rede de transplantes de Santa Catarina.

Por que o diálogo em vida facilitou a decisão da família Tonato?

Edivan gostava de pedalar, viajar e era o grande porto seguro de sua mãe e de seus três irmãos. Mesmo jovem e saudável, ele já havia manifestado abertamente aos familiares a vontade de ser um doador de órgãos caso algo lhe acontecesse. Quando os médicos confirmaram a perda definitiva das funções cerebrais, a decisão de autorizar o procedimento foi tomada de maneira unânime pela família.

De acordo com a irmã, Edivane Tonato, saber previamente da vontade do irmão tornou a escolha o momento menos complexo da despedida. Para os irmãos, saber que partes de Edivan permitiram que outras pessoas voltassem a enxergar ou retomassem atividades simples, como pedalar, ajudou a ressignificar o luto com a certeza de cumprir a meta de “viver em outras vidas”.

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Como funciona o acolhimento hospitalar durante o protocolo de transplante?

A família também relembrou o atendimento humanizado recebido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Unimed Chapecó. A irmã Edinéia relatou que todas as etapas foram explicadas gradualmente, sem pressões externas. Gestos simples da equipe de enfermagem, como a aplicação de um protetor labial nos momentos finais do paciente, marcaram os parentes pelo respeito e dignidade com que o caso foi tratado.

Conforme explica a enfermeira supervisora da UTI e integrante da Comissão Hospitalar de Transplantes, Alcione Pozzebon, o trabalho multidisciplinar visa unir rigor técnico e acolhimento emocional. A profissional ressalta que o papel da equipe não é convencer a família a doar a qualquer custo, mas garantir suporte ético e humanizado em um dos momentos mais difíceis da vida dos parentes, fazendo a ponte com a Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina.

Qual a importância da autorização da família na doação de órgãos no Brasil?

Pela legislação brasileira, a doação de órgãos e tecidos após a morte encefálica só pode ser concretizada mediante o consentimento expresso dos familiares de primeiro grau. Por conta do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste 27 de setembro, os profissionais de saúde alertam que conversar com parentes em vida é fundamental para que eles tenham segurança e tranquilidade na hora de decidir pelo sim na UTI.

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