Caminhoneiro de Chapecó conta como é enfrentar neve e ventos gelados na Patagônia há 17 anos

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Ex-bombeiro, Volnei Wiebbelling roda pela região mais fria do Cone Sul, onde temperaturas chegam a -20°C e nevascas podem parar estradas por dias. Comunicação encurta distância de 3 mil quilômetros.

Julho é o mês mais frio do ano no Sul do Brasil, e o clima é bastante influenciado pelas nevascas que ocorrem no sul da Argentina e em parte do Chile, na região conhecida por Patagônia. A quase três mil quilômetros de distância, centenas de motoristas brasileiros percorrem os caminhos gelados da região. Entre eles está o chapecoense Volnei Luiz Wiebbelling, que há 17 anos trocou a farda de bombeiro pela boleia de uma carreta Scania 460. Ele conta os desafios e a rotina em meio ao gelo.

  • O que é: Relato de caminhoneiro de Chapecó sobre sua rotina de trabalho na Patagônia.
  • Números principais: 17 anos na estrada; 3.000 km de distância; temperaturas de -20°C; cerca de 500 caminhões brasileiros na região.
  • Onde: Patagônia (Argentina e Chile), com partida de Chapecó, Oeste Catarinense.
  • Quem afeta: Motoristas de cargas, famílias que aguardam em casa e a economia do transporte internacional.

Como a vida de bombeiro preparou o motorista para a estrada?

“Fui bombeiro por 10 anos. Entre outras operações, estive na equipe de resgate no acidente de 09 de outubro de 2007, em Descanso, quando 27 pessoas morreram. Depois fui ser bombeiro de resgate no Samu e na Fórmula 1. Também trabalhei no serviço de resgate aero‑médico até que decidi mudar de área e vim para a boleia”, conta Volnei. Segundo ele, a experiência como bombeiro o preparou para as adversidades da estrada, que exige preparo físico e mental para situações de risco.

Quais são as principais adversidades enfrentadas na Patagônia?

Nevascas e ventos são as principais adversidades. As estradas ficam bloqueadas quando há previsão de neve para mais de 15 centímetros de altura e só são liberadas depois que a neve derreter. “Isso pode levar dias. Já cheguei a ficar 22 dias com o caminhão parado por causa da nevasca”, relata Volnei. Além disso, a velocidade máxima permitida é de 80 km/h, e há horários específicos para rodar, de acordo com a estação do ano e as condições climáticas.

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Como os motoristas se preparam para o frio extremo?

Além da roupa específica para enfrentar temperatura próxima dos -20°C, é preciso estar preparado com alimentos, água e produtos de higiene. Por questões fitossanitárias, alimentos crus como carne e vegetais que brotem não podem entrar em alguns países. Outra curiosidade: o botijão de gás precisa ser transportado dentro da cabine para evitar congelamento. “Chimarrão e muita lã são indispensáveis”, destaca o motorista, que mantém na cabine os confortos necessários para dias de parada forçada.

Qual é a importância da comunicação e do apoio entre colegas?

“Quem sai para uma rota como esta do Mercosul tem data para partir, mas não sabe quando volta. A família fica em casa esperando, mas sabe desta rotina. Hoje, graças ao telefone, a comunicação ameniza um pouco esta distância”, afirma Volnei. Ele também destaca que, sempre que alguém precisa de ajuda na estrada, o apoio vem principalmente dos colegas de profissão, formando uma rede de solidariedade entre os caminhoneiros.

Qual é a situação do clima e da rotina na região?

Na Patagônia, o dia só amanhece por completo depois das 8h30 da manhã e a noite chega depois das 21h. Por ser uma região de deserto, a variação de temperatura também é grande. No verão, os termômetros frequentemente ultrapassam os 40°C, e o vento intenso leva areia para todo lado, exigindo que as refeições sejam preparadas em ambiente fechado. A meteorologia prevê diminuição do frio para as próximas semanas, mas os termômetros não devem ultrapassar 10°C.

Como a rotina do caminhoneiro impacta a economia do transporte?

Volnei não sabe certo quando estará de volta a Chapecó. Depois de entregar uma carga de carne em Buenos Aires, ele andou mais de mil quilômetros com o caminhão vazio para carregar frutas que serão transportadas até a Ceasa, em São Paulo. Estima‑se que cerca de 500 caminhões brasileiros estejam na região da Patagônia durante o ano todo, movimentando a economia do transporte internacional e abastecendo o mercado brasileiro com produtos da América do Sul.

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