quinta-feira, 22 janeiro, 2026

Tecnologia NIR revela origem do café e combate fraudes em segundos

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Imagine comprar um café especial amazônico, mas descobrir que ele foi misturado com grãos baratos de outra região ou até com sementes de açaí. Fraudes assim crescem com a alta dos preços, mas uma tecnologia brasileira promete mudar isso. Pesquisadores da Embrapa Rondônia desenvolveram um método usando espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) que analisa grãos inteiros em segundos, revelando sua origem exata e detectando impurezas sem destruir a amostra.

Essa técnica, validada em cinco anos de pesquisa, fortalece a qualidade do café brasileiro, um dos maiores exportadores mundiais. Ela responde a dúvidas reais de consumidores e produtores: como garantir autenticidade sem gastar fortunas em análises demoradas? De acordo com Enrique Alves, pesquisador da Embrapa, “é uma tecnologia que permite identificar o terroir do café, chegando ao nível da área produtiva”.

Como funciona a espectroscopia NIR no café?

A NIR é simples de entender: ela mede como a luz infravermelha interage com os compostos químicos do grão, gerando um “espectro” — como uma impressão digital única. Bancos de dados e algoritmos treinados comparam esse espectro para diferenciar origens, como cafés robustas indígenas da Amazônia de conilons do Espírito Santo ou Bahia.

O estudo, parte do doutorado de Michel Baqueta na Unicamp em parceria com a Embrapa Rondônia, usou análise quimiométrica (métodos matemáticos para dados químicos) para criar padrões precisos. Testes separam variedades de Coffea canephora em solos diferentes e detectam fraudes emergentes, como adição de sementes de açaí. Tudo sem reagentes químicos ou preparo complexo — basta apontar o equipamento e esperar segundos.

Fraudes comuns e como a NIR as detecta

No Brasil, adulterações explodem com a valorização do café. A NIR flagra:

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  • Misturas de origens diferentes, como Rondônia com Espírito Santo.
  • Materiais estranhos: milho, soja, casca, borra ou sementes de açaí.
  • Diferenças entre cafés indígenas e comerciais.
  • Impurezas em pó moído ou lotes misturados.

“Se houver contaminante ou resíduo, a curva espectral muda e confirmamos a adulteração”, explica Alves. Diferente de métodos tradicionais que levam horas e geram resíduos, a NIR é portátil, custa até 95% menos e analisa grãos crus, torrados ou moídos. Baqueta destaca: “O resultado sai em segundos, com mínimo custo operacional”.

Benefícios para produtores, cooperativas e consumidores

Essa tecnologia democratiza a certificação. Pequenos produtores amazônicos ganham com o reconhecimento de cafés indígenas, agregando valor em mercados de especiais. Cooperativas podem usar equipamentos de bancada ou portáteis em campo, com treinamento simples. Futuramente, apps conectados à nuvem permitirão rastreabilidade digital do campo à xícara.

Colaborações com Itália, França e Espírito Santo validam os resultados, abrindo portas para melhoramento genético — analisando 1.000 acessos de germoplasma para traços como cafeína. Para o leitor: e se isso impulsionasse selos de origem, combatendo falsificações e valorizando a biodiversidade brasileira? A NIR já é usada em leite e soja; no café, revoluciona a cadeia agroalimentar.

Fonte: Conexão Safra

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