O destaque em fevereiro foi o avanço de 11,4 pontos percentuais (p.p.) na taxa do cartão de crédito rotativo, chegando a 435,9% ao ano. A modalidade é uma das mais altas do mercado.
Mesmo com a limitação de cobrança dos juros do rotativo — em vigor desde janeiro de 2024 — os juros seguem variando sem uma queda expressiva ao longo dos meses. Isso porque a medida visa reduzir o endividamento, mas não afeta a taxa de juros pactuada no momento da contratação do crédito.
Nos 12 meses encerrados em fevereiro, os juros do cartão de crédito rotativo tiveram recuo de 16,7 p.p. para as famílias. O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito.
Cartão parcelado e outras modalidades
Após os 30 dias, as instituições financeiras parcelam a dívida do cartão de crédito. Neste caso do cartão parcelado, os juros subiram 5,3 p.p. no mês e 16,9 p.p. em 12 meses, indo para 200,2% ao ano.
No caso das operações com empresas, os juros médios nas novas contratações de crédito livre recuaram 0,1 p.p. no mês e subiram 1,1 p.p. em 12 meses, alcançando 24,9%. Destaca-se, nesse cenário, a redução mensal de 3,1 p.p. e de 1,8 p.p. em 12 meses na taxa média de juros das operações de capital de giro com prazo até 365 dias, que chegou a 22,5% ao ano.
Crédito direcionado e taxa média geral
No crédito direcionado, a taxa para pessoas físicas ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com redução de 0,3 p.p. em relação a janeiro e aumento de 0,3 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa subiu 0,2 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses, indo para 13,2% ao ano.
Considerando recursos livres e direcionados, para famílias e empresas, a taxa média de juros das concessões em fevereiro aumentou 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em 12 meses, atingindo 33% ao ano.
Relação com a Selic e spread bancário
A alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, definida em 14,75% ao ano pelo Copom. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle.
O spread bancário também apresentou alta de 0,5 p.p. no mês e 2,8 p.p. em 12 meses. Ele mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes.
Concessões e estoque de crédito
Em fevereiro, as concessões de crédito chegaram a R$ 602,3 bilhões. O estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em R$ 7,145 trilhões, um crescimento de 0,4% em relação a janeiro.
O crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 21,043 trilhões, com aumento de 1,1% no mês.
Endividamento e inadimplência das famílias
A inadimplência (atrasos acima de 90 dias) subiu 0,2 p.p. no mês e 1 p.p. em 12 meses, registrando 4,3% em fevereiro (5,2% para pessoas físicas e 2,6% para jurídicas).
O endividamento das famílias ficou em 49,7% em janeiro, com estabilidade no mês e aumento de 1,1% em 12 meses. Com a exclusão do financiamento imobiliário, o endividamento ficou em 31,3%.
Já o comprometimento da renda ficou em 29,3% em janeiro, aumento de 0,1% na passagem do mês e 1,6% em 12 meses.





