quarta-feira, 22 maio, 2024

Cinco anos da tragédia de Brumadinho

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Entenda a relação da tragédia com a área de intervenção em áreas deslizadas do CBMSC

Há cinco anos, no dia 25 de janeiro de 2019, uma barragem de rejeitos de minério de ferro se rompeu em Minas Gerais, no Córrego do Feijão, onde 267 vítimas em óbito foram identificadas e três seguem desaparecidas ainda, conforme informações do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

A lama tomou conta da região da Mina Córrego do Feijão, dificultando o acesso e também as buscas por pessoas desaparecidas. Diante deste cenário os Corpos de Bombeiros Militar, e pessoas de todo o Brasil, se tornaram uma única instituição, trabalhando dia e noite, para trazer esperança a todas as famílias que precisavam.

Intervenções em áreas deslizadas no CBMSC

Todos os anos desde o incidente, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) relembra a situação e traz detalhes sobre a atividade de intervenções em áreas deslizadas da corporação.

Esta área foi a principal empenhada durante a Operação Brumadinho e constantemente é reavaliada pelos responsáveis da Coordenadoria, justamente por ser um trabalho delicado e instável.

No CBMSC as equipes de Intervenções em Áreas Deslizadas realizam a busca e o resgate de vítimas em ocorrências de deslizamentos. Algumas técnicas foram desenvolvidas dentro da corporação e hoje são trabalhadas e ensinadas em outros estados.

No ano de 2008, quando houve a tragédia no Morro do Baú, em Santa Catarina, foi desenvolvida a técnica de desmanche hidráulico, derivada da mineração, adaptada para o atendimento bombeiril. A partir do momento que a corporação passou a ter cursos de Intervenção em Áreas Deslizadas a técnica foi incorporada na doutrina da corporação e hoje é utilizada em diversas partes do país por corporações de bombeiros. Esta técnica consiste na utilização da força da água pressurizada para remoção da lama.

No CBMSC também são utilizadas técnicas de desmanche direto, escoramento e, atualmente, são ensinados nos cursos o “resgate em trincheira”, ou seja, para operações de deslizamentos em áreas urbanas, pensando em ocorrências que acontecem dentro das cidades, que é um ramo dos acidentes dentro da área de deslizamentos. O intuito é que seja construída uma doutrina para estas atuações.

Áreas complementares e materiais que são empregados nas operações de deslizamentos

Além das técnicas empregadas, combinar áreas de afinidade é de extrema importância para o sucesso das operações. O uso de drones, por exemplo, tem se mostrado eficaz para mapeamento dos locais, além de trazer clareza e visibilidade. Também podem ser utilizados os helicópteros para uma visão de cima da cena, bem como para transporte de pessoas, equipamentos e suprimentos.

Outra área importante do CBMSC, associada às buscas em áreas deslizadas, é o resgate com cães, ou seja, a cinotecnia. Essa área, em que atuam bombeiros militares com cães (binômios) certificados, se torna essencial em cenários de grande impacto, em que o olfato do cão e o treinamento dos binômios é um diferencial para que se encontrem vítimas com vida ou em óbito. No CBMSC os cães são certificados a cada dois anos, tanto para buscas em áreas rurais, quanto urbanas.

Outra incorporação do CBMSC nas missões de resgate em deslizamentos é a utilização de miniescavadeiras na área deslizada, trazendo agilidade na retirada de escombros e rejeitos. Após a análise da segurança para a utilização do maquinário – tanto para a preservação do local, quanto para as equipes, os equipamentos passam a ser integrados.

Cursos

Para atuar com as áreas deslizadas é preciso passar pelo curso que leva o mesmo nome da atividade. Os alunos que se formam passam a ser chamados de “tatus”, em referência ao animal que cava na terra. Inclusive há um tatu como emblema no brevê.
Para fazer parte de uma equipe de Força-Tarefa o Curso de Intervenções em Áreas Deslizadas é um dos requisitos.

Hoje a corporação acumula experiências no território catarinense, uma vez que as condições climáticas do estado trazem acúmulo de chuvas e os deslizamentos acabam se tornando cada vez mais frequentes, como o ocorrido na cidade de Rodeio (2023) e também em Presidente Getúlio (2020). Além disso, os militares foram acionados para apoio em ocorrências em Recife e Petrópolis (2022). A participação do CBMSC nestas missões foi de extrema importância para o trabalho da corporação e também para os cursos, já que puderam embasar pontos importantes das aulas.

Participação do CBMSC em Brumadinho

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), a partir da sinalização do CBMMG, se prontificou a ajudar, e, então, no dia 27 de janeiro, a corporação catarinense mobilizou as equipes de Forças-Tarefa (FTs) e também os binômios – dupla entre bombeiro militar e cão – para auxiliar nos trabalhos. No dia 29 de janeiro foi assinada a ordem da missão e permitiu que o CBMSC se deslocasse, fazendo parte desta rede de apoio.
Foram mais de 50 dias de suporte na missão, com 43 bombeiros militares, que se revezaram em 04 equipes de FTs, envolvendo bombeiros militares dos 14 batalhões catarinenses, especialistas em: intervenções em áreas deslizadas; busca terreste; comando e gerenciamento de crise; ajuda humanitária; atendimento pré-hospitalar; busca e resgate em estruturas colapsadas, entre outros cursos e treinamentos específicos compreendidos pelos integrantes das FTs. Além disso, foram empregados 07 binômios, 03 drones com pilotos, 04 viaturas de busca, 01 caminhão de ajuda humanitária e 01 ônibus.

Durante os dias de trabalho, os militares catarinenses realizaram mapeamentos das áreas, criaram estratégias para a busca de vítimas, aplicando os conhecimentos desenvolvidos em Santa Catarina. Além disso, o CBMSC também realizou desmanches manuais e hidráulicos, escorvas – procedimento de retirada de água ou lama, para facilitar o trabalho ou acesso ao local afetado – e identificação de documentos.

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