quarta-feira, 3 junho, 2026

Plantio do trigo avança no Brasil, mas custos altos e El Niño preocupam produtores

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O plantio da safra brasileira de trigo 2026/27 já alcançou 41,1% da área prevista, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar do avanço dos trabalhos no campo, produtores e representantes do setor acompanham com preocupação o aumento dos custos de produção, a redução da área cultivada e os possíveis impactos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño.

Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, as lavouras implantadas apresentam desenvolvimento considerado satisfatório em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. No Paraná, as chuvas recentes e as temperaturas mais baixas contribuíram para o estabelecimento das áreas semeadas, enquanto no Rio Grande do Sul o plantio avança dentro do esperado.

El Niño aumenta preocupação para a próxima safra

A principal preocupação do setor está relacionada às condições climáticas previstas para os próximos meses.

Em entrevista repercutida pela CNN Brasil, o gerente de suprimento de trigo do Moinho Anaconda, Nelson Montagna, afirmou que o cereal é especialmente sensível às variações climáticas e que a expectativa de um El Niño mais intenso aumenta os riscos para a produção no Hemisfério Sul.

Além das incertezas climáticas, a intenção de plantio também apresenta redução em importantes estados produtores, especialmente no Paraná.

Produtores reduzem investimentos

Outro fator que chama atenção é a diminuição dos investimentos tecnológicos nas lavouras.

Dados citados pela reportagem mostram que parte dos agricultores tem optado por utilizar sementes próprias e reduzir a aquisição de sementes certificadas. Também há casos de substituição parcial do trigo por outras culturas de inverno, como a canola.

Segundo representantes do setor, o aumento dos custos de fertilizantes, defensivos agrícolas e demais insumos tem pressionado a rentabilidade da atividade.

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Produção deve continuar abaixo da demanda

As estimativas de mercado indicam que a produção brasileira deverá ficar entre 6,1 milhões e 6,7 milhões de toneladas na safra 2026/27.

O volume permanece distante da demanda interna, estimada em aproximadamente 13 milhões de toneladas por ano, cenário que mantém a dependência das importações para abastecer os moinhos brasileiros.

Argentina segue como principal fornecedora

A Argentina continua sendo a principal origem do trigo importado pelo Brasil. No entanto, problemas de qualidade observados na safra argentina de 2025 têm levado parte da indústria a buscar alternativas em mercados como Uruguai, Paraguai, Rússia e Estados Unidos.

Especialistas destacam, porém, que os custos logísticos ainda representam uma barreira para ampliar essa diversificação.

Moinhos enfrentam dificuldade para repassar custos

Enquanto os custos de produção e importação seguem elevados, os moinhos relatam dificuldades para aumentar os preços da farinha e de outros derivados.

Segundo a CNN Brasil, representantes da indústria afirmam que a concorrência acirrada e a redução do poder de compra dos consumidores têm pressionado as margens do setor, tornando 2026 um ano de desafios para toda a cadeia produtiva do trigo.

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