Mudanças climáticas aceleram a dengue no Brasil, diz estudo

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As mudanças climáticas estão entre os principais fatores por trás do aumento de doenças infecciosas no Brasil, e um estudo da Fundação Oswaldo Cruz publicado na revista científica Nature Medicine mostra que a dengue avançou de forma progressiva para o Sul e o Centro-Oeste, onde o Aedes aegypti historicamente circulava menos, porque o aquecimento alterou a barreira natural de temperatura e manteve o mosquito ativo durante todo o ano.

O calor abriu caminho para a dengue no Brasil

O levantamento lembra que o inseto se reproduz entre 18°C e 33°C. Na Região Sul e em áreas de planalto, as médias de inverno ficavam abaixo de 18 °C, o que funcionava como uma “barreira geográfica” natural contra o vetor. Com temperaturas mais altas do que esse padrão, o ciclo do mosquito deixou de parar no fim da estação fria, e a doença passou a se sustentar de forma contínua.

Os autores do estudo disseram: “O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero”. Eles também apontam que as ondas de calor no verão aceleram o ciclo reprodutivo do vírus. Na região Sul, que antes registrava baixa frequência desse fenômeno, passaram a ocorrer 10 dias por mês com anomalias térmicas.

Microrregiões epidêmicas mais que dobraram

Entre 2000 e 2024, o estudo analisou a disseminação da doença em todo o território e o agravamento da dengue em algumas regiões do país. No recorte de 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos mais do que dobrou: foi de 110 para 292. Isso representa 54% do país. Apenas 3 microrregiões ficaram sem registros de transmissão.

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O trabalho também mostra que, entre as microrregiões que tiveram taxas epidêmicas entre 2007 e 2013, cerca de 77% mantiveram esse nível no período seguinte, entre 2014 e 2020. Em áreas com histórico de baixa incidência, como a região Sul, mais de 10 dias por mês com anomalias térmicas no verão foram determinantes para disparar epidemias.

A dengue preocupa porque pode evoluir para formas mais graves e levar à morte. Além dela, o Aedes aegypty é o principal vetor da zika, da chikungunya e da febre amarela.

O alerta do Ministério da Saúde

No começo de outubro, o Ministério da Saúde divulgou o resultado do 2º ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e identificou 49,2% dos municípios em situação de alerta para o vetor. Segundo a pasta, um dos objetivos do levantamento é ajudar estados e municípios a se preparar para o período de maior risco de proliferação do inseto, intensificado principalmente pelo El Niño.

Esse fenômeno começou no segundo semestre de 2026 e é considerado um dos mais devastadores das últimas décadas. Um relatório feito por pesquisadores da Universidade de Chicago, publicado na revista Climate Impact, diz que ele deve provocar 44% dias a mais de calor extremo do que seria esperado em um ano normal. Com mais calor, cresce também a influência sobre a proliferação do Aedes aegypti.

  • A população deve fazer vistorias regulares em casa e nos espaços ao redor para identificar e eliminar locais que possam acumular água.
  • A população deve verificar vasos e pratos de plantas, garrafas, baldes, pneus, calhas, ralos, caixas d’água e outros recipientes.
  • Sempre que possível, esses recipientes devem ser esvaziados, descartados ou mantidos protegidos da chuva.
  • Caixas d’água, tonéis e cisternas devem permanecer fechados.
  • Garrafas e baldes devem ser guardados virados para baixo.
  • Calhas e ralos precisam ser mantidos limpos.
  • Pneus, latas, plásticos e entulhos devem receber destinação adequada.
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O Ministério da Saúde recomenda que esses cuidados façam parte da rotina durante todo o ano, sobretudo nos períodos em que as condições ambientais favorecem a reprodução do Aedes aegypti. As informações são da CNN Brasil.

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