Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil e chega a 1,499 milhão

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O Brasil registrou uma redução de 9,2% no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, na comparação com o ano anterior. Apesar da queda, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos ainda estavam nessa condição, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa 4% da população brasileira nessa faixa etária e marca o menor percentual da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Os dados, divulgados na sexta-feira (16), mostram que o trabalho infantil voltou a recuar após uma pequena alta registrada em 2024.

Entre as crianças e adolescentes identificados nessa situação, 1,141 milhão realizavam atividades econômicas, enquanto outros 358 mil estavam envolvidos exclusivamente na produção para o próprio consumo.

Bolsa Família concentra maior parte da redução do trabalho infantil

Um dos principais destaques da pesquisa foi a queda do trabalho infantil entre crianças e adolescentes que vivem em famílias beneficiárias do Bolsa Família.

Em 2025, aproximadamente 573 mil pessoas de 5 a 17 anos pertencentes a esses domicílios estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 4,4% desse grupo.

Na comparação com 2024, houve uma redução de 20,1%, representando 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição.

Segundo o IBGE, essa diminuição correspondeu a mais de 95% da redução líquida de 151 mil pessoas registrada no país durante o período.

O resultado mostra que o recuo foi especialmente expressivo entre famílias atendidas pelo programa de transferência de renda. Entretanto, os dados não permitem concluir, isoladamente, que o Bolsa Família tenha sido a única causa da redução.

Norte tem maior proporção de crianças em situação de trabalho infantil

A pesquisa também revelou diferenças regionais importantes.

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A Região Norte apresentou a maior proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 6,3% da população entre 5 e 17 anos.

Já o Sudeste registrou o menor percentual, de 3,3%, embora tenha concentrado o maior número absoluto de pessoas nessa condição: aproximadamente 481 mil.

O Nordeste apareceu em seguida, com 408 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Os números mostram que a distribuição do problema varia conforme a região e que uma menor proporção não significa necessariamente um contingente pequeno de pessoas afetadas.

Adolescentes de 16 e 17 anos são os mais afetados

A ocorrência de trabalho infantil aumenta conforme a idade, segundo o levantamento.

Entre adolescentes de 16 e 17 anos, a proporção chegou a 14,5% em 2025, a maior entre os grupos etários analisados.

A pesquisa também identificou diferenças na frequência escolar.

Enquanto 89,6% de todos os adolescentes de 16 e 17 anos frequentavam a escola, entre aqueles em situação de trabalho infantil o percentual era de apenas 79,6%.

A diferença evidencia a relação entre o trabalho precoce e os desafios para a permanência dos adolescentes na educação.

O IBGE ressalta que nem toda atividade profissional exercida por adolescentes é classificada como trabalho infantil. A legislação brasileira permite, por exemplo, a aprendizagem profissional a partir dos 14 anos, respeitadas as condições legais.

Mais de 500 mil estavam nas piores formas de trabalho infantil

Mesmo com a redução geral, o Brasil ainda tinha aproximadamente 525 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em ocupações classificadas entre as piores formas de trabalho infantil.

O contingente também foi o menor estimado pela série histórica da pesquisa.

Essas atividades envolvem situações consideradas especialmente prejudiciais à saúde, à segurança e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil inclui atividades perigosas ou prejudiciais ao desenvolvimento físico, mental, social ou moral, além daquelas que interferem na escolarização.

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Meninos continuam sendo maioria entre as vítimas

A pesquisa identificou aproximadamente 980 mil meninos em situação de trabalho infantil em 2025, contra 519 mil meninas.

Na comparação com o ano anterior, o contingente masculino apresentou redução de 10%, enquanto o feminino caiu 7,5%.

Embora os meninos representem a maior parcela dos casos identificados, as meninas aparecem com maior frequência nas atividades domésticas e de cuidado não remuneradas.

Quase 16 milhões de crianças e adolescentes realizam tarefas domésticas

Outro dado relevante da pesquisa diz respeito às atividades domésticas e de cuidado.

Em 2025, aproximadamente 15,9 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos realizavam tarefas domésticas não remuneradas ou cuidavam de outras pessoas.

Esse número corresponde a 42,1% da população dessa faixa etária.

Entre as meninas, a participação chegou a 47,9%, enquanto entre os meninos foi de 36,6%.

A maioria dos que realizavam essas atividades, 86,5%, dedicava até 14 horas semanais às tarefas.

É importante destacar que a participação em tarefas domésticas não configura automaticamente trabalho infantil. A classificação depende de fatores como idade, intensidade, riscos envolvidos e possíveis prejuízos à educação e ao desenvolvimento.

Desigualdade de renda ainda marca a realidade das famílias

Os dados do IBGE também revelam diferenças expressivas de renda entre famílias beneficiárias e não beneficiárias do Bolsa Família.

Em 2025, aproximadamente 13,1 milhões de crianças e adolescentes viviam em domicílios que recebiam recursos do programa, representando 34,7% da população de 5 a 17 anos.

Nessas residências, a renda domiciliar mensal média por pessoa era de R$ 660.

Entre famílias não beneficiárias que também tinham crianças e adolescentes, o rendimento médio por pessoa chegava a R$ 1.990.

Apesar dessa desigualdade, a proporção de trabalho infantil entre os beneficiários do Bolsa Família caiu de 7,3%, em 2016, para 4,4%, em 2025.

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No mesmo período, a diferença em relação à proporção nacional diminuiu de 2,1 para 0,4 ponto percentual.

Os resultados indicam avanços no enfrentamento do trabalho infantil, mas também mostram que milhões de crianças e adolescentes continuam expostos a situações que podem comprometer sua educação, saúde e desenvolvimento.

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