Etanol pode conquistar novo mercado de até 20 bilhões de litros com uso em navios

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Governo brasileiro discute regulamentação do biocombustível no transporte marítimo; 336 embarcações já foram encomendadas com tecnologia compatível com etanol e metanol

O etanol brasileiro poderá conquistar um novo mercado internacional nos próximos anos, impulsionado pela busca por combustíveis alternativos no transporte marítimo. A utilização do biocombustível em navios tem potencial para gerar uma demanda de 15 bilhões a 20 bilhões de litros até 2030, segundo estimativas do setor. Atualmente, 336 embarcações que poderão utilizar metanol ou etanol já foram encomendadas por empresas de navegação, enquanto o governo federal discute regras para ampliar o uso desses combustíveis no Brasil.

As negociações são conduzidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que iniciou discussões sobre a regulamentação da mistura de etanol ao óleo bunker, combustível derivado de petróleo tradicionalmente utilizado em grandes embarcações. O primeiro encontro entre representantes do governo e produtores ocorreu no início de outubro, em Brasília.

A proposta busca criar condições para a utilização do etanol na navegação comercial, abrindo uma nova possibilidade de comercialização para a indústria brasileira de biocombustíveis.

Como o etanol poderá ser utilizado como combustível nos navios?

Uma das alternativas em discussão é a mistura de etanol ao óleo bunker, utilizado principalmente no transporte marítimo de cargas. A incorporação de biocombustíveis faz parte das estratégias analisadas pelo setor para diminuir a dependência de derivados de petróleo.

Segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e vice-presidente da Bioenergia Brasil, uma mistura de apenas 10% de etanol ao bunker poderia representar um mercado potencial de aproximadamente 50 bilhões de litros.

Essa projeção considera a possibilidade de utilização do biocombustível em escala ampliada no transporte marítimo. Entretanto, o percentual de mistura ainda não foi estabelecido, e a adoção da medida depende de regulamentação.

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Durante a primeira reunião com representantes do governo, os produtores sugeriram a criação de uma agenda de trabalho destinada a discutir as condições técnicas e regulatórias para a utilização do combustível.

Encomendas de 336 navios impulsionam expectativa de crescimento

Além da possibilidade de misturar etanol ao combustível tradicional, outro fator que movimenta o setor é o desenvolvimento de embarcações preparadas para utilizar combustíveis alternativos.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, empresas de navegação já encomendaram 336 navios projetados para operar com metanol e que poderão ser adaptados para utilizar etanol.

A expectativa é que essas embarcações estejam prontas até 2030, criando uma demanda potencial estimada entre 15 bilhões e 20 bilhões de litros de combustível.

Os projetos foram originalmente desenvolvidos para utilização de metanol, mas especialistas do setor apontam que a adaptação para etanol pode ser realizada por meio de ajustes nos bicos injetores e nos sistemas eletrônicos de controle dos motores.

A existência dessas encomendas, entretanto, não significa que todo o volume projetado será necessariamente abastecido com etanol. A demanda efetiva dependerá das decisões dos armadores, da disponibilidade dos combustíveis e das regras adotadas internacionalmente.

Empresas já realizam testes com etanol no transporte marítimo

Algumas das maiores companhias do setor de navegação já começaram a avaliar a utilização do etanol em operações comerciais.

A empresa dinamarquesa Maersk realizou um teste com etanol puro em um navio bicombustível no Porto de Roterdã, nos Países Baixos. O procedimento buscou avaliar a viabilidade do combustível em embarcações preparadas para operar com mais de uma fonte de energia.

No Brasil, a CMA CGM participou de uma operação de abastecimento de navio com etanol no Porto de Santos, em São Paulo. A iniciativa envolveu também empresas ligadas à produção e à comercialização de combustíveis.

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A mineradora Vale também começou a encomendar embarcações projetadas para utilizar etanol como combustível, indicando o interesse de grandes empresas de transporte de cargas na tecnologia.

Essas experiências fazem parte de um movimento de busca por alternativas aos combustíveis fósseis, especialmente diante das discussões sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.

Governo prepara política nacional para combustíveis sustentáveis

O Ministério de Minas e Energia informou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional, ainda em 2026, um projeto de lei para instituir uma política nacional de combustíveis sustentáveis de navegação.

A proposta foi apresentada durante o 2º Workshop do Programa Nacional de Combustível de Navegação, realizado em 29 de setembro.

Entre os pontos em discussão está a possibilidade de estabelecer metas obrigatórias para a utilização de combustíveis sustentáveis pelas embarcações.

Representantes do setor produtivo defendem que a regulamentação brasileira esteja alinhada às normas debatidas na Organização Marítima Internacional (IMO), responsável por estabelecer padrões internacionais para a navegação.

O alinhamento é considerado importante porque o transporte marítimo envolve operações entre diferentes países e depende de regras compatíveis para o abastecimento e a utilização de combustíveis.

Decisões internacionais poderão influenciar o novo mercado

A expansão do etanol na navegação ainda enfrenta desafios regulatórios, comerciais e políticos. Países com grande produção de petróleo, como os Estados Unidos, apresentam resistência a determinadas propostas de substituição dos combustíveis tradicionais.

O ritmo da transição também dependerá de decisões da Organização Marítima Internacional. Uma medida relacionada às regras para combustíveis marítimos deverá ser votada pela entidade em dezembro.

O resultado dessas discussões poderá influenciar os investimentos das empresas de navegação e a velocidade de adoção de novas tecnologias.

Para o Brasil, que possui uma indústria consolidada de produção de etanol, a abertura desse mercado representa uma possibilidade de diversificar os destinos do biocombustível, atualmente associado principalmente ao abastecimento de veículos terrestres.

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As projeções indicam potencial de crescimento expressivo até o fim da década, mas sua concretização dependerá da regulamentação, dos custos de abastecimento e da aceitação do etanol pelas empresas que operam no transporte marítimo internacional.

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