Uso de inteligência artificial avança nas escolas, mas falta orientação aos alunos

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A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudantes e gestores de escolas públicas e particulares do Brasil. Em 2025, ferramentas capazes de produzir textos, imagens e outros conteúdos passaram a ser usadas em tarefas escolares e atividades administrativas, especialmente no Ensino Médio. A rápida adoção, porém, ocorre sem que a maioria das instituições tenha regras claras para orientar alunos e professores, aumentando a preocupação com erros, dependência tecnológica, privacidade e prejuízos à aprendizagem.

A pesquisa TIC Educação 2025 mostra que 53% dos gestores escolares já utilizam inteligência artificial em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras. Entre as escolas que oferecem turmas até o Ensino Médio, 52% permitem que os estudantes utilizem essas ferramentas em tarefas educacionais. Apesar do avanço, somente 22% dos gestores afirmaram que a instituição possui um guia de orientação sobre o uso da tecnologia. O levantamento ouviu representantes de 2.404 escolas entre agosto de 2025 e abril de 2026.

Usar inteligência artificial não significa saber usá-la

A presença da IA na sala de aula cria novas possibilidades para o ensino. Um estudante pode utilizar a tecnologia para receber explicações sobre um assunto, comparar diferentes interpretações de um texto, organizar um plano de estudos ou identificar pontos que ainda não compreendeu.

O problema aparece quando a ferramenta deixa de apoiar o aprendizado e passa a substituir o raciocínio. Copiar uma resposta pronta pode ajudar o aluno a entregar uma atividade, mas não garante que ele tenha compreendido o conteúdo. Além disso, sistemas de inteligência artificial podem apresentar informações incorretas, inventar referências e reproduzir preconceitos encontrados nos dados utilizados em seu treinamento.

Por isso, a capacidade de questionar as respostas produzidas pela tecnologia se torna tão importante quanto saber operar a ferramenta. O aluno precisa aprender a verificar informações, consultar fontes confiáveis e reconhecer que um texto bem escrito também pode conter erros.

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A UNESCO defende que o uso da inteligência artificial na educação seja acompanhado pelo desenvolvimento do pensamento crítico e pela preparação de professores e estudantes. A organização alerta que o avanço rápido dessas tecnologias tem superado a velocidade das discussões regulatórias e das políticas educacionais.

Falta de orientação amplia riscos

Sem regras definidas, cada professor ou escola pode lidar de uma maneira diferente com a inteligência artificial. Uma atividade considerada aceitável em uma disciplina pode ser tratada como fraude em outra. Essa falta de clareza gera insegurança e dificulta a criação de limites compreensíveis para os estudantes.

As orientações também precisam abordar a proteção de dados. Ao inserir nomes, fotografias, documentos ou informações pessoais em uma plataforma, o aluno pode compartilhar dados com empresas responsáveis pelos sistemas sem compreender como esse conteúdo será armazenado ou utilizado.

Outro desafio é evitar que a tecnologia aumente a desigualdade educacional. Nem todos os estudantes possuem o mesmo acesso à internet, a equipamentos adequados ou a versões pagas das ferramentas. Escolas com melhor infraestrutura conseguem incorporar esses recursos com mais rapidez, enquanto outras ainda enfrentam dificuldades básicas de conectividade.

Proibir não resolve o problema

A inteligência artificial dificilmente desaparecerá da rotina dos estudantes. Uma proibição absoluta pode apenas levar ao uso escondido, sem acompanhamento dos professores e sem qualquer orientação sobre riscos.

O caminho mais seguro é estabelecer regras claras para cada faixa etária e tipo de atividade. A escola pode determinar quando a tecnologia será permitida, exigir que o estudante informe como a utilizou e avaliar também o processo de construção do trabalho, não somente o resultado final.

A formação dos professores é igualmente necessária. Para orientar os alunos, os educadores precisam compreender o funcionamento, as limitações e as possibilidades pedagógicas dessas ferramentas.

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A pergunta, portanto, não é apenas se a inteligência artificial deve entrar nas escolas. Ela já entrou. O principal desafio agora é ensinar crianças e adolescentes a usá-la sem abrir mão da curiosidade, da criatividade e da capacidade de pensar por conta própria.

Fontes consultadas: CETIC.BR e UNESCO

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