Brasil piora em saúde mental e recorre à IA, diz estudo

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Um estudo internacional divulgado nesta quinta-feira mostra que brasileiros estão piorando em saúde mental e passaram a recorrer à inteligência artificial como apoio ao tratamento. O retrato está no Mind Health Report 2026, da seguradora AXA, que ouviu pessoas em 18 países no início deste ano e mediu bem-estar emocional, esgotamento e uso de tecnologia.

O Brasil entrou num cenário inédito: ao mesmo tempo em que a população demonstra grande abertura para inovações tecnológicas no autocuidado, também exibe índices severos de esgotamento profissional e vulnerabilidade emocional.

O índice que colocou o país abaixo da média

No centro do levantamento está o Mind Health Index (MHI), que vai de 0 a 100 e separa a população em quatro faixas: flourishing, ou saúde mental positiva; getting by, mantendo equilíbrio; languishing, desanimado; e struggling, sofrimento psicológico. A média global ficou em 61,8 pontos, com indicação de bem-estar. O Brasil marcou 59,8.

Com essa pontuação, o país caiu na categoria “definhando emocionalmente”, usada pelo estudo para descrever pessoas que não estão vivendo em sua capacidade máxima. Segundo o relatório, quem está nesse estado tem risco maior de desenvolver doenças mentais.

Na comparação internacional, o Brasil ficou atrás de Tailândia (66,5), México (63,5) e Estados Unidos (63,0), mas à frente de Reino Unido (59,5), Coreia do Sul (58,5) e Japão (58,1).

Apenas 19% dos entrevistados brasileiros aparecem no estado ideal. Outros 19% estão na situação mais crítica. A maior parte se divide entre os que estão apenas mantendo equilíbrio (30%) e os que já sofrem com falta de vitalidade (32%).

Ansiedade pesa mais que o diagnóstico formal

O relatório mostra ainda que 80% dos entrevistados dizem ter a saúde mental afetada por vários fatores. Entre os principais estão instabilidade financeira e insegurança no emprego, citadas por 56%, além da incerteza sobre o futuro em um mundo em rápida transformação, também apontada por 56%.

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No Brasil, 40% afirmam sofrer hoje de alguma condição de saúde mental. Entre os quadros mais comuns aparecem distúrbios de ansiedade, fobias ou TEPT, com 23%, e depressão, com 16%. Só 27% têm diagnóstico médico formal.

Quando o assunto é buscar ajuda profissional, o custo aparece como principal barreira: 39% dizem que consultas e tratamentos pesam demais. Depois vêm o acesso limitado a profissionais de saúde, com 23%, e as restrições de tempo e rotina de trabalho, com 18%.

A IA entrou na rotina emocional

Como resposta, muitos brasileiros passaram a buscar suporte psicológico por meio de novas tecnologias. O país virou um dos líderes globais no uso de IA para saúde mental: 70% dizem já usar ferramentas desse tipo para lidar com questões psicossociais, acima da média mundial de 63%.

O Brasil fica atrás de China (88%) e Turquia (83%), mas supera Estados Unidos (48%), França (47%) e Japão (44%). Cerca de 27% da população brasileira usa alguma ferramenta de IA regularmente para tarefas como buscar informações, receber orientação sobre comunicação ou até funcionar como confidente virtual.

Há também um alerta no levantamento: 40% dos usuários brasileiros de inteligência artificial confiam mais nas plataformas tecnológicas do que em profissionais quando precisam de conselhos.

O estresse apareceu na rotina de 77% dos trabalhadores. Entre os efeitos relatados estão irritabilidade e mudanças de humor, com 32%, dores de cabeça, com 29%, e insônia, com 28%.

Diante desses problemas, 46% dos profissionais brasileiros disseram que não falariam sobre saúde mental no ambiente corporativo. O índice é melhor do que a média global de silêncio, de 48%, mas os motivos seguem fortes: 40% tratam o tema como estritamente privado e 16% temem efeitos diretos na carreira ou na segurança do emprego.

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Mesmo assim, 88% dos trabalhadores brasileiros afirmam que participariam de programas de saúde mental se eles fossem oferecidos pelos empregadores. A média global é de 84%. No país, porém, 42% das empresas não oferecem nenhuma política de bem-estar.

Os resultados do Mind Health Report 2026 vieram de 19 mil pessoas em 18 países — sendo mil entrevistas no Brasil — com amostras representativas da população adulta entre 18 e 75 anos. As entrevistas foram realizadas no início deste ano por meio de método de cotas por gênero, idade, ocupação e região, além de ponderações estatísticas para refletir o perfil demográfico de cada nação. Desde 2020, o levantamento serve para entender as dinâmicas emocionais modernas e ajudar empresas, governos e indivíduos a criar soluções mais eficazes. As informações são da CNN Brasil.

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