Cientistas da Fiocruz dão passo importante para vacina universal contra a malária

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Pesquisadores identificam 453 fragmentos de proteínas do parasita que podem proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença. Estudo foi publicado na revista Nature.

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante para obter uma vacina mais completa contra a malária. Os pesquisadores identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem viabilizar o desenvolvimento de um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença. A descoberta foi publicada nesta quarta‑feira (1º) na revista Nature.

  • O que é: Descoberta de 453 fragmentos de proteínas do parasita da malária que podem levar a uma vacina universal.
  • Números principais: 453 peptídeos identificados; 166 proteínas mapeadas; eficácia testada em 5 espécies diferentes.
  • Onde: Pesquisa conduzida pela Fiocruz em Minas Gerais, com repercussão mundial. Em Chapecó e Oeste Catarinense, a comunidade acompanha os avanços da ciência.
  • Quem afeta: População de áreas endêmicas, viajantes, sistemas de saúde pública e a comunidade científica.

Como a nova descoberta pode mudar o combate à malária?

Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária. Atualmente, os imunizantes disponíveis têm eficácia limitada e são voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. O diferencial da pesquisa da Fiocruz foi mostrar que as células T CD8+ — linfócitos capazes de destruir células infectadas — desempenham papel central no combate ao parasita, além de identificar quais proteínas do parasita são reconhecidas pelo sistema imunológico.

“Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais. Nosso trabalho mostra que existem caminhos diferentes e promissores”, afirma a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo.

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Quais foram os achados da pesquisa?

Os cientistas identificaram 453 peptídeos — pequenos fragmentos de proteínas do parasita — que são exibidos na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+. Esses fragmentos derivam de 166 proteínas do parasita. A maioria vem de proteínas chamadas housekeeping, responsáveis por funções básicas e indispensáveis à sobrevivência do parasita.

“Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal”, explica a pesquisadora. Na prática, significa que uma vacina baseada nesses alvos teria mais chances de funcionar de forma ampla, atingindo o parasita em diferentes momentos da infecção e em suas diversas variantes.

Os testes já foram feitos em humanos?

Sim. A equipe testou se esses peptídeos realmente são combatidos pelo sistema imunológico. Os resultados mostraram que células de pacientes infectados, tanto por P. vivax quanto por P. falciparum, reagiram aos antígenos identificados. Além disso, a resposta foi observada em outras três espécies de Plasmodium, incluindo aquelas que infectam primatas e camundongos.

“Confirmamos a resposta imunológica em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos à infecção experimental e modelos animais, tanto em camundongos quanto em primatas”, afirmou Caroline.

Os antígenos demonstraram proteção?

Em modelos animais, alguns dos alvos identificados demonstraram efeito protetor, reduzindo a carga do parasita. “Não é só reconhecimento: vimos indícios de proteção, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma vacina”, afirma a pesquisadora.

Atualmente, as vacinas disponíveis contra a malária têm eficácia parcial e atuam apenas na fase inicial da infecção, com proteção que tende a diminuir com o tempo. O novo estudo aponta um caminho diferente: uma vacina capaz de atuar em múltiplos estágios do parasita — tanto no fígado quanto no sangue — e eficaz contra diferentes espécies.

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Quando uma vacina baseada nessa descoberta estará disponível?

Apesar do avanço, ainda há um longo caminho até o desenvolvimento de um imunizante. Os achados precisam passar por novas etapas de validação e testes clínicos. “Nosso objetivo foi mostrar que existem caminhos diferentes e promissores. Agora, outros grupos podem explorar esses alvos e avançar no desenvolvimento de uma vacina realmente eficaz contra a malária”, concluiu a pesquisadora.

A descoberta abre novas perspectivas para o combate a uma doença que ainda afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.

Com informações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da revista Nature.

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