segunda-feira, 22 junho, 2026

Pesquisa coloca em xeque um dos principais benefícios do ômega-3

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Resumo

Em Los Angeles, um estudo clínico liderado pelo Dr. Hussein Yassine concluiu que suplementos de ômega-3, usados para tentar prevenir Alzheimer e demência, não melhoraram memória, cognição nem perda de células cerebrais. O trabalho foi publicado na quinta-feira e testou óleo de peixe e algas.

Conforme apuração original do portal CNN Brasil, o Dr. Hussein Yassine, autor principal do estudo e professor titular da Cátedra Volke de Neurologia na Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, disse que suplementos de ômega-3 usados como solução ineficaz não funcionam. Mesmo quando os pesquisadores viram níveis altos da substância no cérebro do grupo tratado, a cognição não mudou.

O que o estudo mostrou

Os resultados saíram na quinta-feira no periódico ebioMedicine, da revista The Lancet. O ensaio foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Ao todo, 365 pessoas sem demência, entre 55 e 80 anos, entraram na pesquisa. Todas tinham níveis muito baixos de ômega-3 e pelo menos um fator de risco para demência: obesidade, sedentarismo, hipertensão ou colesterol alto.

Quase metade tinha ao menos uma cópia do gene APOE4, associado a maior risco de Alzheimer. O grupo de tratamento recebeu diariamente, por 24 meses, um suplemento de ômega-3 à base de algas em alta dose: 2.000 miligramas de DHA. O grupo de controle tomou placebo pelo mesmo período. Os dois grupos também receberam um complexo de vitamina B.

Todos passaram por ressonância magnética cerebral, coleta de sangue e testes cognitivos em vários momentos do estudo. Os níveis de ômega-3 nos glóbulos vermelhos subiram de 4,9% para 11% entre os que tomaram o suplemento. No líquido cefalorraquidiano, as medições de DHA aumentaram em média 17% após seis meses. Ainda assim, não houve melhora na cognição nem no tamanho do hipocampo, centro da memória no cérebro.

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O que os pesquisadores disseram

Yassine afirmou que otimizar a saúde com exercícios, menos estresse, sono de qualidade e dieta à base de plantas funciona melhor. Ele também disse que peixes gordos, nozes e sementes entram nessa conta. Segundo o pesquisador, no Mediterrâneo os altos níveis de ômega-3 costumam andar com boa cognição porque as pessoas não dependem só de suplemento: comem peixe gordo, se exercitam, convivem com amigos e vivem com menos estresse.

Dr. Richard Isaacson, pesquisador na área de prevenção do Alzheimer e diretor de pesquisa do Instituto de Doenças Neurodegenerativas da Flórida, disse que os ômega-3 são essenciais para a saúde cerebral ideal, sobretudo para quem tem APOE4. Mas acrescentou que o estudo mostra outra coisa: eles não funcionam bem em pessoas que ainda não ajustaram a própria saúde.

A GOED, entidade que representa a indústria de ômega-3, pediu que o trabalho seja lido junto com o conjunto mais amplo das evidências. Em manifestação enviada à CNN por e-mail, a vice-presidente de comunicações Elana Natker citou uma revisão de 33 estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados que encontrou efeito protetor da suplementação com ômega-3 EPA/DHA na progressão da doença de Alzheimer. Ela também lembrou que EPA e DHA estão entre os nutrientes mais estudados: há mais de 50.000 artigos publicados e 5.000 ensaios clínicos sobre eles.

Yassine resumiu a diferença entre suplemento e alimento inteiro ao dizer que quem obtém ômega-3 pelo peixe ingere mais do que um nutriente isolado. Mas fez uma ressalva: se o salmão for frito ou vier acompanhado de batatas fritas, o efeito pode se perder.

Isaacson disse ainda que uma pessoa com uma ou mais cópias da variante genética APOE4, baixos níveis sanguíneos de ômega-3 e boa saúde geral ainda pode se proteger contra Alzheimer e demência comendo peixes gordos duas vezes por semana e tomando um suplemento de alta qualidade. Já para quem leva uma vida pouco saudável — como a população estudada — o suplemento simplesmente não funciona.

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