quinta-feira, 18 junho, 2026

Operação Predador Oculto combate caça ilegal no Meio-Oeste

Compartilhe essa notícia:

Polícia Militar Ambiental cumpre cinco mandados e apreende carne de caça, armas e acessórios; investigação teve início após denúncia anônima na região de Ibiam no Meio-Oeste catarinense.

A Polícia Militar Ambiental deflagrou, na última quinta-feira (18), a Operação Predador Oculto, com foco no combate à caça ilegal e aos crimes contra a fauna silvestre no município de Ibiam, no Meio-Oeste catarinense. A ação, que ainda está em andamento, já resultou na apreensão de diversos quilos de carne de caça, armas de fogo ilegais e acessórios utilizados em atividades de caça, como luneta e silenciador. A investigação teve início após uma denúncia anônima apontar a atuação de um grupo suspeito de organizar e participar de caçadas ilegais na região.

Investigação começou com denúncia anônima

As informações recebidas pela Polícia Militar Ambiental indicavam que um grupo estaria organizando e participando de caçadas ilegais em Ibiam e adjacências. A partir da denúncia, a Agência de Inteligência da corporação realizou levantamentos que embasaram a solicitação de medidas judiciais para aprofundar as investigações.

Com base nos elementos reunidos, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Caçador autorizou o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão. A decisão judicial contou com manifestação favorável da 1ª Promotoria de Justiça de Joaçaba, que acompanha o caso.

Os mandados de busca e apreensão são ordens judiciais que autorizam a polícia a entrar em determinados locais para revistar e apreender objetos ou documentos relacionados a um crime. No caso da Operação Predador Oculto, os mandados visavam recolher provas da caça ilegal, como armas, munições, carnes de animais silvestres e outros equipamentos usados na atividade criminosa.

Apreensões: carnes, armas e acessórios

Segundo a Polícia Militar Ambiental, a operação já resultou na apreensão de diversos quilos de carne de caça, armas de fogo ilegais e acessórios utilizados em atividades de caça, entre eles uma luneta e um silenciador.

LEIA TAMBÉM  No Oeste, homem comete tentativa de feminicído e atenta contra a própria vida logo após o fato

A luneta é um acessório que amplia a visão do atirador, permitindo mirar com precisão em animais a longa distância. Já o silenciador — tecnicamente chamado de abafador de ruído — é um dispositivo acoplado à boca do cano da arma que reduz o barulho do disparo, dificultando a localização do caçador e permitindo que ele abata vários animais sem ser percebido. Ambos os itens são considerados acessórios de uso restrito e, quando utilizados em atividades ilegais, agravam a caracterização do crime.

As autoridades não divulgaram, até o momento, a identidade dos investigados nem detalhes sobre as espécies abatidas. O material apreendido será analisado e passará a integrar o inquérito que apura os crimes ambientais.

O que diz a lei sobre a caça de animais silvestres?

A caça de animais silvestres sem autorização do poder público é considerada crime ambiental no Brasil, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. O artigo 29 da lei estabelece que “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente” é crime, com pena de reclusão de seis meses a um ano, e multa.

Se a caça for praticada contra espécies ameaçadas de extinção, a pena pode ser aumentada. Além disso, a posse de armas de fogo de uso restrito ou acessórios como silenciadores também configura crime previsto no Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), com penas que podem chegar a vários anos de reclusão.

Além das sanções penais, os infratores estão sujeitos a sanções administrativas, como multas aplicadas pelo órgão ambiental competente, que podem variar de R$ 500,00 a R$ 100.000,00 por animal abatido, dependendo da espécie e das circunstâncias.

LEIA TAMBÉM  Polícia Civil prende dois homens por estupro de vulnerável em São Lourenço do Oeste

O papel da inteligência policial e a integração com o MP

A Operação Predador Oculto evidencia a atuação da Agência de Inteligência da Polícia Militar Ambiental, um setor especializado em coletar, analisar e interpretar informações para embasar ações operacionais. A inteligência policial permite que as equipes atuem de forma planejada e com maior chance de sucesso, reduzindo o tempo de investigação e aumentando a efetividade das apreensões.

A ação também reforça a integração entre os órgãos de segurança pública e o Ministério Público no enfrentamento aos crimes contra o meio ambiente. A manifestação favorável da 1ª Promotoria de Justiça de Joaçaba e a autorização da Vara Regional de Garantias de Caçador demonstram o trabalho conjunto entre as instituições para garantir o cumprimento da legislação ambiental.

De acordo com a corporação, a operação tem como objetivo reprimir práticas que ameaçam a fauna silvestre e garantir o cumprimento da legislação ambiental. A Polícia Militar Ambiental destaca que a caça de animais silvestres sem autorização constitui crime ambiental, sujeito a sanções penais e administrativas previstas na legislação brasileira.

Próximos desdobramentos

As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e dimensionar a extensão das atividades ilegais apuradas pela operação. A Polícia Militar Ambiental deve continuar com as diligências para localizar outros eventuais integrantes do grupo e verificar se há conexões com outras regiões ou comércio ilegal de carne de caça.

O material apreendido passará por perícia para comprovar a origem e a espécie dos animais abatidos, bem como a procedência das armas e acessórios. Os laudos periciais serão anexados ao inquérito policial, que será encaminhado ao Ministério Público para oferecimento de denúncia contra os investigados.

A Justiça deverá analisar a legalidade das prisões e apreensões, e os investigados poderão responder pelos crimes de caça ilegal, posse irregular de arma de fogo e uso de acessórios proibidos. Caso condenados, estão sujeitos a penas de reclusão e multa, além da perda dos bens apreendidos em favor da União.

LEIA TAMBÉM  Idoso com suspeita de AVC é transferido de helicóptero ao HRO

A Polícia Militar Ambiental reforça que a população pode colaborar com denúncias anônimas pelos canais oficiais, como o telefone 190 ou o Linha Verde (0800 643 0300), que recebe denúncias de crimes ambientais em todo o estado de Santa Catarina. As informações são fundamentais para orientar as ações de fiscalização e proteger a fauna silvestre.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

PM apreende cocaína e notas falsas com adolescente em Chapecó

Denúncia anônima levou equipes ao bairro Universitário, onde foram localizadas drogas, dinheiro fracionado e...

Vacinação em Chapecó tem pontos extras neste fim de semana

Resumo: A população de Chapecó terá duas oportunidades extras para atualizar a caderneta de...

Copa: Espanha, Bélgica e Uruguai estreiam nesta segunda

Resumo: A Copa do Mundo de 2026 segue com mais um dia de grandes...

Semana Total 2026: CDL Chapecó sorteia 5 TVs e movimenta R$ 2,3 milhões

Primeira etapa da campanha premiou consumidores com televisores de 50 polegadas e 20 vendedores...