quarta-feira, 17 junho, 2026

Postura perfeita é mito? Estudos mostram o que realmente causa dor nas costas

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Resumo

A ciência já não sustenta a ideia de uma postura perfeita para evitar dor na coluna, no pescoço ou nos ombros. Em texto assinado por Monica Schapiro, fisioterapeuta e membro da Brazil Health, a CNN Brasil – Saúde mostra que o problema depende de vários fatores e que o movimento pesa mais do que ficar reto o tempo todo.

Por anos, repetiu-se a ordem de “sentar direito”, “endireitar as costas” e “parar de ficar curvado”. Também se culpou o celular por dores no pescoço. Hoje, porém, as pesquisas apontam outra direção: postura importa, mas não explica sozinha a dor.

O que mudou na leitura da postura

Durante décadas, prevaleceu a ideia de que existia uma posição ideal e que qualquer desvio dela levaria inevitavelmente ao sofrimento. A lógica parecia simples: se o corpo ficasse desalinhado, certas estruturas sofreriam mais carga e os sintomas apareceriam. A realidade é menos linear.

Há pessoas com posturas consideradas excelentes que sentem dores importantes. Outras, sem seguir os padrões clássicos de alinhamento, passam bem. Isso não torna a postura irrelevante; só a coloca no lugar certo, como um fator entre vários na experiência dolorosa.

O celular ajuda a entender essa mudança. Ficar muito tempo olhando para baixo aumenta a carga mecânica sobre algumas estruturas do pescoço. Ainda assim, os estudos não mostram uma relação tão direta entre a posição da cabeça e o surgimento de dor cervical quanto se imaginava.

Mais do que alinhar, é preciso variar

A dor não depende apenas da posição em que alguém está. Sono ruim, estresse, capacidade física, histórico prévio de dor, tempo de exposição às cargas e aspectos emocionais e comportamentais entram na conta. Se a postura fosse a causa principal, quase todo mundo que usa celular por várias horas ao dia sentiria dor. Não é o que acontece.

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O ponto central virou outro: por quanto tempo a pessoa permanece na mesma posição. O corpo humano foi feito para se mover — caminhar, girar, alcançar objetos, sentar, levantar e trocar de postura ao longo do dia. Quando alguém fica muito tempo parado, mesmo numa posição tida como perfeita, alguns tecidos podem ficar mais sensíveis e desconfortáveis.

Isso vale para quem passa horas sentado, para quem fica muito tempo em pé e também para quem tenta sustentar uma postura excessivamente rígida durante todo o dia. Daí a frase que ganhou espaço entre profissionais: a melhor postura é a próxima postura.

Nos últimos anos, a ciência da dor avançou e passou a tratar o problema como uma experiência complexa, produzida pelo sistema nervoso a partir de múltiplas informações. Aspectos físicos, emocionais, sociais e comportamentais interagem o tempo todo. Por isso, explicar toda dor nas costas, no pescoço ou nos ombros só pela postura costuma simplificar demais o problema.

O corpo tolera uma grande variedade de posições. O foco, agora, sai da busca obsessiva por alinhamento e vai para outra direção: fazer pausas durante o trabalho, levantar da cadeira periodicamente, caminhar por alguns minutos, mudar de posição ao longo do dia e manter rotina regular de exercícios físicos.

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