quarta-feira, 17 junho, 2026

Surto de Ebola no Congo pode ser o pior da história

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Resumo

O chefe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África alertou nesta terça-feira (16) que o surto de Ebola no Congo pode ser o pior de todos os tempos. Mais de 800 casos da cepa Bundibugyo, sem vacina ou tratamento comprovados, já foram relatados em três províncias da República Democrática do Congo, com 192 mortes.

Jean Kaseya disse que conter a doença logo será decisivo para evitar um custo bilionário depois. O alerta veio em reunião virtual com chefes de Estado africanos e doadores no Burundi.

Financiamento apertado

O dirigente do África CDC afirmou que, se as falhas críticas na resposta não forem corrigidas rapidamente, o quadro pode ficar pior do que os surtos da África Ocidental, entre 2014 e 2016, e do leste da República Democrática do Congo em 2018. Na África Ocidental, a doença matou mais de 11.000 pessoas.

O plano africano para arrecadar US$ 518 milhões nos próximos seis meses recebeu menos de US$ 100 milhões, disse Evariste Ndayishimiye, presidente do Burundi e da União Africana. Kaseya acrescentou que, se não houver financiamento nas próximas quatro semanas, o pedido deixará de ser de US$ 500 milhões e passará para cerca de US$ 1,5 bilhão; se o atraso continuar, a conta subirá para US$ 7,5 bilhões.

Resposta ainda incompleta

A doença se espalha rapidamente por três províncias da República Democrática do Congo, segundo dados do governo. Ela é transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, o que torna os enterros inseguros um dos principais vetores. Autoridades de saúde dizem que, mais de um mês depois da declaração do surto, a dimensão real ainda não está clara.

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Bruno Michon, gerente de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, disse por videoconferência do leste do Congo que a epidemia ainda não atingiu o pico e que teme que a crise leve um ano para acabar. Ele afirmou que as equipes da FICV atuam no engajamento comunitário e no sepultamento seguro e digno das vítimas.

Michon também relatou abusos verbais, ameaças e ataques contra essas equipes nos últimos dias. Entre os problemas listados por Kaseya estão a falta de centros de tratamento, a resistência da comunidade às medidas rígidas de higiene, a escassez de equipes de sepultamento, a falta de equipamentos de proteção individual e recursos insuficientes para rastrear os contatos dos mais de 800 casos confirmados. Ele disse ainda: “Estamos monitorando apenas 12% da nossa população”, ao defender que ainda não se sabe a magnitude do surto.

Trabalhadores humanitários dizem que o apoio recebido neste surto é menor do que em crises anteriores. No surto da África Ocidental, soldados britânicos e americanos e médicos estrangeiros foram enviados para ajudar. Na reunião desta terça-feira, o representante de Washington disse que os Estados Unidos foram o doador mais rápido e mais generoso e pediu que outros países contribuíssem; África do Sul, China, Alemanha e França afirmaram que forneceriam mais apoio à emergência.

Fonte: CNN

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